RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 60, n. 4, julho-agosto 2020

Editorial: 

Versão original

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-759020200401

 

O FUTURO DAS REVISTAS CIENTÍFICAS

A  SciELO Brasil publicou uma atualização de seu documento “Critérios, política e procedimentos para a admissão e a permanência de periódicos na Coleção SciELO Brasil”, válida a partir de maio de 2020. Os critérios divulgados estão apoiados na proposta de Ciência Aberta, que inclui: i) acesso aberto, ii) dados abertos e iii) pareceres abertos. Ainda que não universalmente aceito, uma vez que interesses comerciais estão envolvidos nessa indústria, o primeiro indicador já é praticado pelos periódicos no Brasil. Cabe discutir os demais tópicos, que trazem algumas polêmicas.  

Participei recentemente de um encontro de editores científicos, organizado pelo professor Fabio Frezatti, editor-chefe da Revista Contabilidade & Finanças, com o professor Abel L. Packer, diretor do Programa SciELO/Fapesp. Aproveito para agradecer publicamente o encontro. O debate foi esclarecedor acerca de profundas mudanças que as revistas científicas deverão implementar nos próximos anos. Com o risco de cometer impropriedades, apresento aqui uma síntese pessoal dessa conversa, para continuar a reflexão sobre essas novas políticas de comunicação do conhecimento, junto com pesquisadoras e pesquisadores, editoras e editores científicos e pareceristas da comunidade acadêmica em Administração.

Essas transformações podem ter, daqui a alguns anos, um impacto na organização e comunicação de pesquisas científicas, bem como na própria gestão dos periódicos. Com o avanço das novas tecnologias, a gestão tradicional dos periódicos, que inclui periodicidade regular, volumes e todo o processo de produção das revistas, que está organizado para atender a esse modelo, pode ser completamente revista, com publicações contínuas, em plataformas que podem ser infinitamente renovadas em tempo (quase) real. As revistas desaparecem, mas a comunicação da produção científica fica mais ágil. Além dos dados, outras etapas do processo de produção da comunicação científica poderão estar abertas: a publicação dos pareceres e a conversação direta de editores científicos com os autores.

Quem são os responsáveis por essa transformação? Os periódicos têm papel protagonista nesse processo, mas é necessário contar com a adesão e participação das pesquisadoras e pesquisadores, de editoras e editores e pareceristas. Não é necessária uma mudança radical. Nessa nova trajetória, o posicionamento pode ser flexível e os avanços modulares em conjunto com a comunidade de pesquisa.

RAE segue as diretrizes da SciELO e busca os caminhos para acompanhar essas mudanças na comunicação científica. A seguir, selecionamos alguns links úteis para aprofundar esse debate.

 

  • Sobre Ciência Aberta:

Ciência Aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte I

https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i/#.XuO2iVRKi5s

Ciência Aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa – Parte II

https://blog.scielo.org/blog/2019/08/01/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-ii/

 

  • Sobre avaliação aberta

https://blog.scielo.org/blog/2018/02/28/sobre-as-vinte-e-duas-definicoes-de-revisao-por-pares-aberta-e-mais/#.XuO0z1RKi5s

https://blog.scielo.org/blog/2019/04/30/potenciais-vantagens-e-desvantagens-na-publicacao-de-pareceres/#.XuO2pFRKi5sE

https://blog.scielo.org/blog/2019/03/27/avaliacao-por-pares-aberta-a-publicacao-dos-pareceres-influencia-o-comportamento-dos-pareceristas/#.XuO2qFRKi5s

 

Desejamos a todas e todos uma boa leitura!

Maria José Tonelli1 | ORCID: 0000-0002-6585-1493

Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

 

 

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