RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 60, n. 3, maio-junho 2020

Editorial: 

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-759020200301

 

REFLEXÕES SOBRE A PRODUÇÃO E A PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS

Na complexidade desse momento somos engolfados pelas notícias que nos alcançam todos os dias nos jornais e fica quase impossível pensar na continuidade das questões que envolvem a produção e a publicação de artigos científicos. No caso de publicações acadêmicas, vários periódicos, nacionais e internacionais, já apontaram que os prazos precisam ser revistos e estão dispostos a considerar o desarranjo que a pandemia trouxe à produtividade de professores e pesquisadores. No caso das mulheres pesquisadoras, essa questão foi ainda potencializada, pois muitas precisam, além de realizar a dupla jornada, acompanhar filhos e filhas no ensino em casa que muitas escolas promovem neste período. Não só os prazos para a entrega de revisões, mas também a produção de artigos, têm sofrido atrasos. Mas o momento é também profícuo para ter novos olhares para a produção científica em Administração, e a RAE acabou de lançar uma chamada especial sobre o impacto da Covid-19 na produção de conhecimento em diversas áreas da gestão; para informações, clique aqui.

Entretanto, vamos tentar nos concentrar aqui em questões que cercam o debate local sobre a produção e a publicação de artigos científicos. O primeiro ponto que vale destacar: publicar o artigo em congresso e depois submetê-lo a revistas científicas é considerado plágio? Conforme observamos na RAE, a resposta é não! Não consideramos plágio apresentar um artigo a um congresso e submetê-lo para a revista. O software utilizado pela RAE, o iThenticate®, permite a identificação de similaridades, mas esse caso específico não se configura como um problema, conforme indicado em nossa Linha Editorial. Uma segunda questão que tem preocupado editores e pesquisadores: os avaliadores devem ser revelados e o processo de blind review, suspenso? Embora seja um padrão adotado em revistas internacionais, nessa questão não temos unanimidade. O SciELO propõe esse modelo, mas temos visto reações da comunidade a favor e contra essa medida. O terceiro aspecto, que já tratamos no editorial “Propriedade dos dados e ciência aberta” (Tonelli & Zambaldi, 2019), refere-se a dados abertos, já adotados em periódico da área, mas que continuam sendo debatidos em meio a controvérsias. Finalmente, também polêmica é a proposta de extinção do Qualis, para o quadriênio 2021-2024, sendo a avaliação da produção científica dos Programas de Pós-Graduação avaliada a partir de padrões internacionais (Coordenação de Avaliação de Pessoal de Nível Superior – Capes, 2020). Não temos respostas definitivas para esses três últimos aspectos que envolvem a publicação científica em nosso país, mas consideramos oportuno registrar que todos esses processos estão, em paralelo com a pandemia, chamando a atenção dos professores da academia nacional em Administração.

Convidamos nossos leitores para apreciar os artigos desta edição: “O papel do empoderamento e da identificação dos trabalhadores com suas equipes de trabalho para um clima de inovação”, de Manuel Fernando Montoya Ramírez, Jhony Ostos e Arturo Saenz Arteaga; “Analizando la nnovación comercial en las empresas peruanas de manufactura de menor intensidade tecnológica”, de Javier Fernando Del Carpio Gallegos e Francesc Miralles; “Mulheres de vida fácil? Tempo, prazer e sofrimento no trabalho de prostitutas”, de Kely César Martins de Paiva, Jefferson Rodrigues Pereira, Letícia Rocha Guimarães, Jane Kelly Dantas Barbosa e Caissa Veloso e Sousa; e “Información integrada según el IIRC de 2011 a 2015”, de Luis Alfonso Sánchez-Aznar, Esther Ortiz-Martínez e Salvador Marín-Hernández. Completam esta edição a Pensata de Nelson Lerner Barth e Carlos Eduardo Lourenço, “O P ainda tem valor?”, a resenha “Multinacionais de mercados emergentes (EMNCS): Desafios e oportunidades” de Fernanda Lemos e também as Indicações Bibliográficas, “Tecnologias sociais para a transformação de sistemas de gestão e gerenciamento de resíduos sólidos”, por Adalberto Mantovani Martiniano de Azevedo.

 

Boa leitura!

 

Maria José Tonelli1 | ORCID: 0000-0002-6585-1493

Felipe Zambaldi1 | ORCID: 0000-0002-5378-6444

1 Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

 

REFERÊNCIAS

Coordenação de Avaliação de Pessoal de Nível Superior. (2020). Relatório 2019, Proposta de Aprimoramento da Avaliação da Pós-Graduação Brasileira para o Quadriênio 2021-2024 – Modelo Multidimensional. Recuperado de https://www.capes.gov.br/images/novo_portal/documentos/PNPG/25052020_Relat%C3%B3rio_Final__2019_Comiss%C3%A3o_PNPG.pdfhttps://www.capes.gov.br/images/novo_portal/documentos/PNPG/25052020_Relat%C3%B3rio_Final__2019_Comiss%C3%A3o_PNPG.pdfhttps://www.capes.gov.br/images/novo_portal/documentos/PNPG/25052020_Relat%C3%B3rio_Final__2019_Comiss%C3%A3o_PNPG.pdf

Tonelli, M. J., & Zambaldi, F. (2019). Propriedade dos dados e ciência aberta. RAE-Revista de Administração de Empresas, 59(6), 372-373. doi: 10.1590/S0034-759020190601.

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