RAE - eletrônica, vol. 8, n. 2, julho-dezembro 2009

Editorial: 

Não tem mais jeito: os periódicos acadêmicos não têm alternativa a não ser aderir de facto ao universo on-line. Nos últimos anos, vários periódicos, alguns de prestígio, têm migrado suas páginas para o mundo da web. A RAE-eletrônica foi uma das pioneiras no Brasil, e fez a sua estreia em 2002. Alguns periódicos mantêm versões eletrônicas convivendo com a edição em papel - caso da RAE - mas novos periódicos nem consideram mais a publicação em papel e já nascem completamente on-line. Alguns periódicos que mantinham as duas versões (eletrônica e impressa) já desistiram do papel e agora mantêm apenas sua versão digital. Além dos custos mais baixos e do fator de imediatismo, as edições eletrônicas contam com a enorme aceitação por parte dos seus leitores, pesquisadores sintonizados com o tempo da internet. Para complicar a vida dos periódicos impressos, a Capes demanda que todo o conteúdo das revistas acadêmicas impressas tenha também uma versão eletrônica disponível ao mesmo tempo em que a edição impressa saia das gráficas, sob pena de prejudicar a sua avaliação. E faz isso consciente de que o fator de impacto de um periódico está associado a sua acessibilidade.

O problema é que a migração do papel para o meio digital tem sido até aqui bastante conservadora. Ou seja, migrou-se o meio, mas não se absorveu ainda todo o potencial que o novo ambiente de publicação propicia. As publicações eletrônicas continuam com a mesma cara sisuda das suas versões em papel, em contraste absoluto com o mundo dinâmico e interativo da web. Em artigo provocativo publicado no seu blog, o professor de Física Teórica Michael Nielsen apela aos editores de periódicos científicos que abandonem de uma vez por todas os paradigmas do mundo impresso e adotem a perspectiva disruptiva do universo da web. O problema é que não temos ainda muitas experiências de sucesso que possam nos ajudar a definir os novos parâmetros do que seja um periódico acadêmico que mantenha os requisitos de rigor científico e ainda por cima sejam suficientemente flexíveis para incorporar a interatividade dos ambientes da Web 2.0.

A RAE-eletrônica (assim como sua precursora RAE), pelo seu espírito pioneiro, está engajada e quer contribuir para incorporar esse novo espaço de publicação de maneira muito mais inovadora. Não vai ser fácil e nem sem tropeços, é certo. Mas, de forma corajosa e obstinada, uma nova RAE-eletrônica está sendo preparada. Os leitores, autores e toda a comunidade acadêmica da área de Administração só têm a ganhar com isso. Aguardem novidades para breve.

Nesta edição apresentamos artigos nas áreas de finanças, gestão de pessoas, tecnologia da informação e marketing. Edson Luis Kammler e Tiago Wickstrom Alves testam a capacidade de explicação dos investimentos organizacionais pela teoria do "q" de Tobin em empresas brasileiras de capital aberto, por meio de uma aproximação simplificada da medida de "q". Ieda Margarete Oro, Ilse Maria Beuren e Nelson Hein analisam a eficiência, a estrutura de capital e o lucro operacional de empresas familiares de grande porte.

Ronaldo Pilati, Juliana Porto e Alexandre Magno Dias Silvino estudam os efeitos de ações educacionais sobre o desempenho profissional de egressos de programas de pós-graduação, evidenciando a importância da educação corporativa para o resultado produtivo das organizações. Gustavo Severo de Borba apresenta uma estrutura de avaliação da aprendizagem organizacional no ambiente hospitalar. Janette Brunstein e Pedro Jaime analisam a formação de um grupo organizacional a mulheres no marco das políticas de diversidade empresarial em uma organização transnacional.

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