RAE - eletrônica, vol. 5, n. 1, janeiro-junho 2006

Editorial: 

Com a morte de Peter Drucker diversas matérias a respeito de sua obra e influência foram publicadas não só em veículos da área de Administração, mas até mesmo, na mídia de penetração mais generalizada. A despeito de sua influência entre profissionais de Administração e talvez até mesmo por isto, Drucker sempre foi visto com reservas nos círculos acadêmicos. Concede-se que sua obra pode apresentar interesse a executivos e consultores, mas academicamente é estéril. Nada se pode extrair delas, a não ser as tradicionais recomendações que marcam uma postura prescritiva.

Mas Drucker se tornou a figura mais marcante do mundo da Administração no século XX e sua obra foi certamente a mais lida dentre a de todos os gurus. É interessante notar que talvez pela época em que nasceu e quando exerceu a maior parte de sua atividade como consultor e autor, o estrelismo ainda não se havia implantado de forma tão decidida como ocorreu a partir da década de 1980. Desde então, gurus pulularam e tornaram-se um pilar importante da management industry. Embora Drucker não possa ser referido como figura de humildade e modéstia franciscanas, era uma pálida figura se atentarmos hoje para os sites e os espetáculos administrativos em que se converteram nossas feiras de Administração.

Se Drucker pode ser visto como frágil em termos de construção da ciência ou do pensamento administrativo, isto talvez seja mais um indicador da fragilidade da área do que uma desqualificação do autor. Uma observação freqüentemente feita é de que seus textos nunca surpreendem, porque acabam sendo sempre uma colocação das coisas em termos de senso comum. Suas recomendações carecem de embasamento científico e conceitual e se alicerçariam no simples bom senso. Se aceitarmos com Descartes que o bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo, não há por que admirar Drucker. Mas não se pode esquecer que a área de Administração não conseguiu até hoje produzir um corpo teórico consistente. Outras ciências que lhe são contemporâneas avançaram incrivelmente mais. Vide a Psicologia, a Sociologia e, especialmente, a Economia. Há imensa dificuldade em se perceber o que seja Administração se olharmos as nossas diversas subáreas em que se divide e constatarmos que hipóteses, pesquisas, conclusões e o que se apresenta como teorização, freqüentemente, não são mais do que Economia, Antropologia, Matemática e assim por diante.

Adicionalmente, a Administração em si, designada por Drucker de Management, não pode ser entendida como ciência, mas como uma arte e a aplicação de diversos atributos humanos para o seu exercício, como inteligência conceitual e emocional, paixões, emoções, habilidades sociais e interpessoais e uma dose bastante grande de bom senso, que inclui senso de realidade. Queiramos ou não, essas são as características da Administração que impedem seja colocada como um campo científico e na qual a elaboração de teorias tem encontrado mais dificuldades que noutras áreas.

Ora, Drucker parece ter entendido perfeitamente essas características do management e ao seu entendimento, codificação e divulgação dedicou sua vida e sua obra. Se quisermos algum apoio de um guru acadêmico, tome-se Henry Mintzberg. Tem criticado acidamente, há duas décadas, os cursos de MBA de inspiração norte-americana como instrumentos para a formação de administradores. O que está no centro do questionamento de Mintzberg é que não se pode fazer do management objeto de tratamento exclusivamente analítico. Management é prática e não se pode adquiri-lo apenas trilhando o caminho da análise. Insiste que é impossível ensinar management a quem não esteja inserido na prática administrativa. Daí o programa que criou o IMPM-Intermational Masters in Practicing Management.

Expediente: 

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Inclui Bibliografia
1. Administração geral e de empresas - Periódicos I. São Paulo (cidade). FGV-EAESP
CDD. 658.05 - CDU 65.01(05) - 658(05)

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