RAE-revista de administração de empresas, vol. 50 n.4, out-dez 2010

Após dois anos do novo sistema Qualis de avaliação de periódicos, é momento de fazermos uma reflexão. Passou-se a classificar as publicações pela sua qualidade numa escala linear (A1, A2, B1 a B5, e C), abandonando-se a escala anterior, baseada em um componente relacionado à origem do periódico (local, nacional, internacional). Essa nova classificação faz muito mais sentido e privilegia a qualidade em detrimento da confusa distinção entre os periódicos pela origem: uma publicação estrangeira nem sempre tem relevância "internacional", enquanto vários periódicos brasileiros de qualidade deixam de ser classificados em segundo plano com o rótulo de "nacional".

Embora a iniciativa de alteração da escala seja positiva, os programas de pós-graduação continuam sofrendo pressão para se internacionalizar e atingir níveis mais altos de avaliação pela CAPES. Apesar de o processo de internacionalização ir muito além dos aspectos relacionados à publicação, o discurso de "publicar internacionalmente" ainda predomina nos programas mais bem qualificados. E esse discurso, além de seu viés colonizado, é danoso para as revistas nacionais mais importantes, que fazem um grande esforço para manter um alto nível de qualidade.

No seu esforço de internacionalização, a RAE, além de estar presente nos principais indexadores internacionais, tem publicado artigos em inglês e espanhol e também tem procurado atrair a submissão de artigos de autores de outros países. Em 2010, recebemos submissões espontâneas de autores radicados no Chile, Colômbia, Portugal, Espanha, Alemanha e Holanda, sem contar as colaborações entre brasileiros e estrangeiros, estas bem mais comuns. Sabemos que ninguém se torna relevante internacionalmente sem se tornar relevante regionalmente e a RAE tem trabalhado para estender a importância que conquistou no Brasil para outras regiões.

Nesta edição, contamos com a colaboração internacional da professora Lourdes Casanova, do INSEAD, com uma pensata que aponta o crescimento da importância das multinacionais latino-americanas no cenário internacional. E para analisar o papel da gerência média na formação de estratégias emergentes, o artigo "How middle managers contribute to strategy formation process: connection of strategy processes and strategy practices" apresenta um caso de estudo realizado em uma universidade espanhola.

Entre as colaborações genuinamente nacionais, publicamos nesta edição o artigo "Desenvolvimento e validação fatorial da escala de relacionamento com clientes (ERC)", que propõe e valida através de pesquisa empírica um instrumento científico para mensurar o relacionamento entre as empresas e seus clientes. Com base em um estudo etnográfico realizado em uma organização britânica, "O pesquisador como o outro: uma leitura pós-colonial do 'Borat' brasileiro" apresenta uma visão crítica sobre a forma como o pesquisador brasileiro é percebido pelo pesquisado europeu.

Em "Capital social em um consórcio de pesquisa", apresenta-se o capital social como fator explicativo para a variação da verba obtida por cientistas em seus projetos de pesquisa. O artigo "Atratividade de projetos de software livre: importância teórica e estratégias para administração" apresenta uma contribuição para o entendimento dos fatores que permitem atrair usuários e colaboradores em projetos de software livre. O artigo "Modelagem de probabilidade de churn" calcula a probabilidade de clientes abandonarem o relacionamento com uma organização.

Completam a edição uma resenha do livro (Re) (organize) for resilence: putting customers at the center of your business, de Ranjay Gulati, e ainda indicações bibliográficas sobre Comportamento do Consumidor Internacional e Negócios na Base da Pirâmide.

A todos, uma boa leitura!

Eduardo Diniz
Editor chefe

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