GV-executivo, vol. 20, n. 3, julho-setembro 2021

Editorial: 

Vão completar duas décadas desde que Jim O’Neill publicou o artigo “Building Better Global Economic BRICs”. O economista, à época na Goldman Sachs, criou então o acrônimo para chamar a atenção para o potencial das economias de Brasil, Rússia, Índia e China – a África do Sul juntou-se ao grupo em 2010. Desde 2009, os líderes políticos desses países realizam encontros para discutir a economia mundial e possiblidades de cooperação.

Apesar das boas perspectivas apontadas em 2001 pela Goldman Sachs, o desempenho econômico dos países do BRICS foi díspar desde então, principalmente na última década. A economia que mais se destacou obviamente foi a da China, tema do caderno especial da última edição da GV-executivo. Nesta edição, salientamos as possibilidades de aprendizagem conjunta com o segundo país do BRICS de crescimento mais consistente nos últimos 20 anos, a Índia.

A lâmpada diya que ilustra a capa da revista é acesa pelos indianos no festival de luzes Diwali para simbolizar bons presságios. Da mesma forma, esta edição procura apontar caminhos prósperos para a parceria entre Brasil e Índia. O caderno especial abre com as palavras de Suresh K. Reddy, embaixador da Índia no Brasil, e de André Aranha Corrêa do Lago, embaixador do Brasil na Índia. Em seguida, há quatro artigos que abordam diferentes direções para fortalecer a relação econômica entre os países: Umesh Dilip Kumar Mukhi e Amit Kumar Mishra revelam novas fronteiras de colaboração entre Brasil e Índia em áreas tão diversas como educação, saúde, defesa, aeroespaço e ayurveda; Guilherme França Mota e Jorge Carneiro apresentam as oportunidades para startups brasileiras, como as fintechs, em território indiano; Guilherme Casarões e Leonardo Ananda Gomes mostram como a Índia construiu uma expertise em indústria farmacêutica e hoje desponta como uma força global para ajudar a imunizar populações principalmente em países em desenvolvimento; e Cyntia Vilasboas Calixto Casnici, Jean Carlo Butske e Sílvio Luís de Vasconcellos discutem as possibilidades de negócios que surgem para empresas brasileiras com a rápida transformação da matriz energética da Índia. Além dos artigos, a entrevista desta edição desvela as tendências tecnológicas mundiais pelo ponto de vista de Tushar Parikh, presidente da Tata Consultancy Services no Brasil, empresa do grupo indiano Tata, que é uma potência em serviços de tecnologia da informação.

Em duas décadas desde o surgimento da sigla BRICS, os paradigmas para o desenvolvimento econômico sustentável mudaram. Os demais artigos da edição tratam de alguns dos temas que emergiram, como diversidade, governança corporativa e resiliência a crises como a da Covid-19. Julia Rezende e Joana Story abordam as facetas mais sutis do sexismo nas organizações e fazem recomendações para se criar um ambiente de trabalho de fato inclusivo. Gustavo Freitas também faz uma análise além das aparências para apontar as deficiências na governança corporativa no Brasil e indicar formas de superá-las. Por fim, Carlos Mendonça e Marcelo Aidar indicam os pontos fortes das empresas familiares brasileiras no enfrentamento de crises como a da atual pandemia e chamam a atenção para aspectos que ainda precisam ser melhorados.

Completam a edição as colunas de Claudia Yoshinaga, sobre os riscos do open banking; Sergio Amad Costa, acerca dos cuidados para evitar estresse no ambiente de trabalho; Paulo Sandroni, a respeito de mudanças na construção civil, setor-chave para o crescimento econômico; e Marco Antonio Carvalho Teixeira, sobre os fundamentos da democracia.

Boa leitura! Adriana Wilner – Editora adjunta

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