GV-executivo, vol. 19, n. 4, julho-agosto 2020

Editorial: 

A gestão não será mais a mesma.

Nesse cenário pandêmico, a Fundação Getulio Vargas (FGV) reorganizou rapidamente suas atividades e pôde dar continuidade ao ensino de qualidade em prol do desenvolvimento do país. Em consonância com esses objetivos, os artigos da GV-executivo buscam disseminar o conhecimento produzido nas pesquisas de seus professores e professoras, nos diversos centros de estudo e nos trabalhos aplicados dos alunos e das alunas dos mestrados profissionais da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV (FGV EAESP).

A edição passada da GV-executivo foi totalmente dedicada ao impacto da Covid-19: na administração de empresas, na administração pública e na administração dos serviços de saúde. Os reflexos da pandemia continuam a ser debatidos nesta edição – impossível não pensar em suas consequências para a gestão e para os negócios no país. 

O Caderno Especial procura abordar facetas dessa gestão em mudança por meio das pesquisas do curso de Mestrado Profissional em Administração (MPA) da FGV EAESP. Dois artigos tratam da transformação digital nas vendas, que se acelerou com a pandemia. Em O novo papel do vendedor, Wagner Torres Rodrigues, Lucas Sciencia do Prado e Eliane Zamith Brito mostram que, com as vendas crescentemente automatizadas, os vendedores assumem funções mais especializadas e relacionamentos de prazos mais longos com os compradores. Em O varejo não será mais o mesmo, inspiração para o título deste editorial, Vanessa Santolin Bernardes e Leandro Angotti Guissoni evidenciam desafios e caminhos para varejistas diante do aumento brutal das vendas online. O cerne para essa transformação não é investir em tecnologia, como muitos poderiam imaginar, mas envolver os colaboradores para a mudança.

 

Momentos críticos como o que vivemos alteram o trabalho de todos, não importa o cargo. O artigo de João Mendes Silveira de Almeida, O que mudou no trabalho do CEO?, baseado em pesquisa para sua dissertação do MPA, revela como executivos do topo das organizações sentem que vêm perdendo o controle da gestão em vários aspectos. Um deles envolve o home office. Antes da pandemia, os chief executive officers (CEOs) entrevistados não viam com bons olhos o trabalho em casa, mas foram obrigados rapidamente a lidar com o teletrabalho. Adaptação sempre, esse parece ser o lema que deveria guiar o trabalho dos executivos. No trabalho remoto, essa adaptação exige ajustar a comunicação para que não se perca a coesão da equipe, tema abordado por Vanessa Martins dos Santos e Guilherme Saraiva no artigo Liderança a distância. 

 

O Caderno Especial conta ainda com a colaboração de Fábio Medeiros, Luiz Carlos Di Serio e Alessandro Moreira. Em um período que pede contenção de gastos, eles apresentam, em Como otimizar a logística sem gastar muito, a possibilidade de gestores usarem ferramentas de melhoria contínua para obter ganhos em eficiência operacional sem investimentos de vulto.

 

A pandemia salientou questões da realidade brasileira que pedem nossa reflexão, especialmente a desigualdade. Nossa sociedade é marcada por corrupção, por deficiências estruturais na educação e pela dificuldade de acesso às tecnologias, fundamentais nessas novas formas de organizar a vida, a família e o trabalho.

 

Além do Caderno Especial, apresentamos três artigos, dos quais dois tratam de fraudes e corrupção. Décio Cunha Júnior ressalta a necessidade de aprimorar a mensuração da governança corporativa, essencial para controlar fraudes; e Ligia Maura Costa e Leopoldo Pagotto apontam que, além da prisão de corruptos, reaver os valores envolvidos em atos ilícitos é fundamental para desestimular novas ações fraudulentas. O terceiro e último artigo, de Gilberto Sarfati, traz ferramentas para

quem deseja empreender.

 

As colunas desta edição são todas dedicadas aos impacto da Covid-19: Beatriz Maria Braga reflete sobre as consequências da pandemia no trabalho, na escola e na família; Fernando Luiz Abrucio destaca a importância das relações presenciais entre alunos, colegas e professores para estimular o interesse pelo ensino; Eduardo Henrique Diniz chama a atenção para as dificuldades de acesso às ferramentas digitais que aprofundam a desigualdade no país; Cibele Franzese discute as ações de estados e municípios no combate à Covid-19; e Paulo Sandroni analisa as perspectivas para a economia brasileira.

 

Ressaltamos ainda a entrevista com Gilson Rodrigues, líder de Paraisópolis, que mostra como foi possível, em condições precárias, mobilizar a comunidade para controlar de alguma forma a pandemia e obter indicadores que chamaram a atenção do mundo inteiro. Uma experiência fantástica, com potencial de nos ensinar a fazer gestão em momentos de crise e nos dar esperança de que podemos transformar a sociedade para vivermos melhor.

 

Boa leitura.

 

Maria José Tonelli – Editora chefe

Adriana Wilner – Editora adjunta

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