GV-executivo, vol. 19, n. 2, março-abril 2020

Editorial: 

INOVAR SERÁ PRECISO

Esta edição foi produzida um pouco antes do agravamento da crise provocada pelo Covid-19. Embora a maioria dos artigos não enfoque tempos tão instáveis como o que vivemos, o tema do caderno especial, a inovação, é ainda mais relevante quando os desafios que se apresentam são imensos. Teremos de reinventar a forma de conduzir os negócios e, mais do que nunca, inovar será preciso.   

O caderno especial conta com o artigo de Alexandre de Vicente Bittar e Luiz Carlos Di Serio, que chamam a atenção para a necessidade de as empresas desenvolverem um conjunto de práticas organizacionais para buscar conhecimento interno e externo, fazer inovação aberta, antecipar novas tecnologias, gerenciar o desenvolvimento de novos produtos, promover atividades de pesquisa e desenvolvimento e envolver a alta gestão na inovação; Luciana Hashiba e Cristina Sartoretto tratam especificamente de como inovar em rede com startups; Daniel Franco Goulart e Luís Henrique Pereira apresentam novas alternativas de financiamento para resolver gargalos da agricultura; André Cherubini enfatiza a construção coordenada de capacitação tecnológica e organizacional em iniciativas governamentais voltadas à inovação; e para fechar o especial, Juliana Bonomi Santos, Susana Carla Farias Pereira e Daniel Gonçalves Lopes mostram o caminho para empresas acessarem os recursos do ecossistema de inovação brasileiro.

Completam esta edição os artigos de Stefan Colza Lee e William Eid Junior, que revelam existir enorme distância entre o que diz a academia e o que é praticado pelos gestores de fundos de investimento no Brasil; e Luis Perini e Jorge Carneiro, que abordam os vieses cognitivos nas tomadas de decisão pelos gestores. Os dois trabalhos são fundamentais no momento: considerar os artigos científicos e evitar vieses nas decisões não são uma panaceia, e sim ampliam os horizontes dos gestores. Este é o objetivo da GV-executivo: trazer pesquisas e conhecimento de ponta em linguagem acessível para nossos leitores.

As tradicionais colunas já tratam dos impactos da pandemia nos negócios. Em Pandemia: a propósito de um falso dilema, Paulo Sandroni mostra que, “se as pessoas não forem salvas, a catástrofe da economia será inevitável”. Maria Tereza Leme Fleury destaca a diferença, apontada por Hannah Arendt, entre trabalho e labor no mundo digital – as tecnologias permitem que muitos trabalhem em casa durante o Covid-19, mas também multiplicam os uberizados, que se arriscam nas ruas pela subsistência. Edgard Barki e Adriana Arcuri apontam que é chegada a hora da criação não destrutiva. Finalmente, Marco Antonio Carvalho Teixeira destaca que o momento pede o protagonismo do setor público, que tem sido negligenciado no país.

Nesta edição, temos ainda o privilégio de contar com a entrevista do recém-empossado diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Luiz Eugênio Mello congrega sólida formação acadêmica, como médico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e passagens pela iniciativa privada, no Instituto Tecnológico Vale e no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Com suas respostas, Mello brinda-nos com sua experiência e seus propósitos para a gestão e mostra que valoriza a inovação e a articulação entre academia e empresa. Ele acredita que, neste momento em que se reconhece a importância da ciência, o setor da saúde no Brasil tem a possibilidade de trazer contribuições sobre o Covid-19, pois acumula experiência em virologia e tratamento da malária e pode pesquisar o comportamento do vírus em uma diversidade de climas. Além disso, a FAPESP destinou um montante considerável para projetos e pesquisas que ajudam no enfrentamento da pandemia. 

Boa leitura e cuide-se bem.

Maria José Tonelli – Editora-chefe

Adriana Wilner – Editora adjunta

Portal FGVENG

Escolas FGV

Acompanhe na rede