GV-executivo, vol. 18, n. 3, maio-junho 2019

Editorial: 

COMBATE ÀS MÁS CONDUTAS

 

Os custos da corrupção para o mundo superam 3,6 trilhões de dólares por ano, perto de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global, segundo a Organização das Nações Unidas. A ONU destaca que essas perdas em fraudes, subornos, evasão fiscal e lavagem de dinheiro estão entre os principais obstáculos para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

 A corrupção desvia recursos fundamentais para o desenvolvimento das nações e afeta a competitividade dos países. Traz prejuízos às finanças, à reputação e à cultura das organizações, o que em última instância ameaça sua sobrevivência. Uma economia alicerçada por esquemas de desvios ilegais de recursos não se sustenta.

No Brasil, profundas mudanças ocorreram nos últimos anos no combate à corrupção, como novas leis e condutas que colocaram o tema entre as prioridades das organizações. O caderno especial da GV-executivo desta edição, dedicado a Ética, Transparência e Compliance, traz contribuições para que as empresas avancem nesse processo de buscar - tomando emprestado um jargão da área – integridade, em seus princípios e ações.

Neste Caderno Especial, Ligia Maura Costa desvenda a falaciosa ideia de que a corrupção é um problema inerente à identidade do Brasil e aponta o caminho para que se desenvolva uma “cultura de compliance” no país. Gabriel Petrus e Ronaldo Fragoso apresentam uma pesquisa que revela o quanto as empresas brasileiras já caminharam para melhorar suas práticas de compliance – e quais gargalos ainda perduram. Calo Verona faz um balanço alvissareiro dos cinco anos de vigência da Lei Anticorrupção brasileira, e Renato J. Orsato, Simone R. Barakat e José Guilherme F. de Campos mostram que muitas empresas vão, até, além das exigências legais de forma a se diferenciarem no mercado.  Andrea Mustafa, Leopoldo Pagotto e Luciana Stocco Betiol destacam a necessidade de os micro e pequenos negócios customizarem programas de compliance para se tornarem competitivos. Por fim, Marcos Fernandes Gonçalves da Silva chama a atenção para a necessidade do ensino da ética nas graduações de administração de empresas.

A entrevista desta edição também aborda o tema do Caderno Especial.  André Clark, CEO da Siemens no Brasil, revela como a empresa fez para superar um escândalo mundial de corrupção e enfatiza a necessidade de ampliar o conceito de compliance  para englobar, por exemplo, o comportamento ético e responsável dos funcionários perante seus colegas, seja qual for seu gênero, cor, raça ou religião.

Além dos textos do Caderno Especial, os três demais artigos também tratam de temas que ganham relevância na atualidade: Alexandra Strommer Godoi recupera o significado do liberalismo, palavra que voltou, de forma deturpada, ao debate econômico; Daniel Pereira Andrade analisa como os gestores estimularam um modelo de administração que elimina seus próprios postos de trabalho; e Lívia Menezes Pagotto e Camila Yamahaki  explicam como as empresas podem gerar valor tanto para seus acionistas quanto para as comunidades em estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável.

A edição ainda conta com as colunas de Gilberto Sarfati, questionando a corrida das startups para se transformarem em unicórnios – empresas com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão; Paulo Sandroni, a respeito dos tropeços do atual governo; Marco Antonio Carvalho Teixeira, sobre a urgência de o governo achar um rumo que unifique o país; e Samy Dana, avaliando o dilema dos carrinhos e bandejas que as pessoas largam em qualquer lugar.

Desejamos a todos uma ótima leitura!

Maria José Tonelli – Editora chefe

Adriana Wilner – Editora adjunta

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