RAE - eletrônica, vol. 6, n. 2, julho-dezembro 2007

Editorial: 

Uma maneira possível de classificar ou entender o ser humano é dizer que ele pensa e age, ou pensa e faz. O ethos aristocrático preza o homem que pensa, que contempla, que é capaz de desfrutar com elegância do ócio e, se possível, até mesmo transformá-lo em oportunidade de criação. Cumulando estas atitudes, adicionem-se a finura, o refinamento e o domínio do gosto. Esta concepção tem origens remotas. Os gregos prezavam acima de tudo o pensar e o contemplar. Um autor grego disse que nos jogos olímpicos havia os que iam para competir, outros para comercializar produtos e aqueles que iam para assistir aos jogos, contemplando as qualidades do certame. Estes últimos são os mais nobres e aqueles que, em uma hierarquia de valores, devem ocupar o cimo.

Quando o cristianismo adquiriu a condição de religião hegemônica, para não dizer exclusiva, no Ocidente, igualmente prosseguia a dicotomia. Havia os que se dedicavam ao seculo, ou seja, aos afazeres mais mundanos, como casar, ter filhos, manter uma família, plantar, colher, produzir objetos artesanalmente com os quais sustentar a vida da espécie. E havia aqueles que se recolhiam em mosteiros, orando e se dedicando ao entendimento da sabedoria derivada das Escrituras e da tradição, almejando, por meio da oração e da penitência, a vida contemplativa. Acredito que na segunda opção há mais santos e santas catalogados do que na primeira. Aparentemente, estas coisas podem ser interessantes, mas pertenceriam a um passado já distante. Será?

Vejamos se assim é. A modernidade trouxe consigo muitas coisas. O aparecimento da burguesia, de uma moral do trabalho, de uma valorização do homem como centro do universo e não mais a divindade e, certamente, o homem ativo. O homem que faz, que age, que é ativo e pró-ativo não é invenção do século XX ou XXI, mas remonta ao início da modernidade. O ideal aristocrático fenece gradativamente e em seu lugar vão se colocando uma moral burguesa e um humanismo burguês. O ser humano é, a partir de então, muito mais definido como o que age, que faz, do que aquele que pensa e contempla.

Enquanto a teoria pela teoria era uma delícia para o cultivo da mente na concepção grega, hoje ela é vista como algo próximo da inutilidade. Teorias só podem ser interessantes se forem úteis, ou seja, se auxiliarem e nortearem a prática, ou seja, a ação. A teoria científica deve levar à aplicação e esta à geração de tecnologia com que possamos intervir e controlar o mundo em que estamos inseridos. Se você é professor de administração saberá que a mais terrível avaliação que pode ser feita de seu curso e de sua aula é que foram teóricos. Isto equivale a uma execração. Se for um curso profissionalizante, pode significar a eliminação do docente da grade curricular.

E como fica esta dicotomia na profissão de administrador? De certa maneira, ela se mantém. Consultores e assessores são fundamentalmente pensadores ou aconselhadores. Não se espera que façam, e os que aceitarem seus conselhos e os colocarem em prática serão tidos como responsáveis pelos resultados. Os assessores estarão dispensados da responsabilidade, mas também das glórias e louros, caso haja sucesso. Estes ficarão com os executores, ou seja, os administradores de linha, os que agem e não apenas pensam.

Expediente: 

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ISSN 1676 - 5648
Periodicidade: Semestral
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da Fundação Getulio Vargas (FGV - EAESP)
Diretores: jan/02 a dez/04, Thomaz Wood Jr.; jan/05, Carlos Osmar Bertero; ago/07, Francisco Aranha
Inclui Bibliografia
1. Administração geral e de empresas - Periódicos I. São Paulo (cidade). FGV-EAESP
CDD. 658.05 - CDU 65.01(05) - 658(05)

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