RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 56, n. 6, novembro-dezembro 2016

Editorial: 
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O RAEpub, novo manual de publicação da RAE-Revista de Administração de Empresas, traz diretrizes para publicação e indica aos autores as principais dimensões que compõem a avaliação dos artigos submetidos à Revista. Vale retomar sinteticamente o processo: o primeiro passo é dado na triagem inicial realizada pelo editor-chefe, que avalia o potencial de publicação do texto e o encaminha, se for o caso, para avaliação dos editores científicos, especialistas na área temática. Como o campo das Ciências Sociais cresceu enormemente nessas últimas décadas, nós nos tornamos, como diz Boaventura de Souza Santos, “ignorantes especializados”. Por esse motivo, o corpo editorial científico abrange especialistas para essa multiplicidade temática. O segundo passo é dado pelo editor científico, que pode recomendar a rejeição do artigo ou encaminhá-lo para o processo de blind-review. Essa etapa inclui a avaliação por pareceristas, que sugerem aperfeiçoamento para o artigo, e pode envolver várias rodadas até que ele seja aceito para publicação. O papel dos avaliadores, nesse caso, é sugerir mudanças que visam, com base na sua experiência e em seu conhecimento, ao aperfeiçoamento do artigo (Rai, 2016), entretanto eles não decidem sobre sua aprovação ou rejeição. O editor científico recomenda (ou não) a publicação, e a decisão final é do editor-chefe. Se aceito, a terceira fase inclui a revisão gramatical.

Esse é o processo, mas qual a importância da avaliação? Afinal, por que é essencial realizá-la? Ao longo dos anos, a comunidade científica aprimorou a avaliação dos artigos e, consequentemente, dos periódicos: bons artigos reforçam a qualidade dos periódicos, que atraem a submissão de bons artigos. No Brasil, na área de Administração, Turismo e Contabilidade, esse processo se consolidou a partir de 2002, com as diretrizes para avaliação de periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a participação ativa de diversos professores pesquisadores de todo o país. Ainda que muitos questionem esse processo, em essência, a avaliação dos periódicos reforça a busca pela qualidade da produção científica dos programas de pós-graduação (Trzesniak, 2016).  

Embora possamos ser repetitivos, quais as qualidades que são valorizadas em artigos científicos? Basicamente, contribuições para o campo de pesquisa que preencham lacunas teóricas após exaustivas e atualizadas revisões da literatura. São considerados os artigos que apresentem um quadro teórico bem articulado, procedimentos metodológicos claramente descritos, com conclusões relevantes para teoria e prática. Similaridades, evidentemente, devem ser evitadas. Muitos autores reproduzem conteúdo sem a devida citação, em geral dos próprios artigos, o que leva à sua rejeição. Quando se trata de similaridade com dissertações, teses ou artigos em congressos, entretanto, o artigo não é rejeitado. Descrito dessa forma, tais critérios parecem simples e objetivos, mas os esforços para obter tais resultados não são fáceis. No primeiro semestre de 2016, foram submetidos 500 artigos à Revista, porém apenas 20 foram aceitos para publicação. Isso não deve servir para desestimular, mas sim reafirmar a importância da qualidade da pesquisa. Nunca é demais reforçar a necessidade de rigor nos procedimentos metodológicos e de revisões teóricas substantivas, que dão sustentação para pesquisas de qualidade. O rigor, entretanto, não deve matar a criatividade, que contribui para o desenvolvimento do conhecimento, para a revisão de conceitos cristalizados em verdades e/ou para a solução dos complexos problemas que vivemos (Eisenhardt, Graebner, & Sonenshein, 2016).

O último número da RAE apresenta três artigos aprovados no Fórum de Varejo, em parceria com o 8º Congresso Latino-Americano de Varejo (CLAV), selecionados por Delane Botelho e Leandro Guissoni. A edição traz outros três artigos, além da resenha sobre o livro “Finanças comportamentais: Quando a economia encontra a psicologia”, de Júlio Lobão, e as indicações bibliográficas sobre “transdisciplinaridade” e “instituições e desempenho de empresas”.

Boa leitura!

Maria José Tonelli | Editora-chefe
Professora da Fundação Getulio Vargas, Escola de
Administração de Empresas de São Paulo – São Paulo – SP, Brasil

REFERÊNCIAS

Eisenhardt, K. M., Graebner, M. E., & Sonenshein, S. (2016). Grand challenges and inductive methods: Rigor without rigor mortis. Academy of Management Journal, 59(4), 1113-1123. doi:10.5465/amj.2016.4004

Rai, A. (2016). Writing a virtuous review. MIS Quarterly, 40(3), 3-10.

Trzesniak, P. (2016). Um Qualis em quatro tempos: Histórico e sugestões para Administração, Ciências Contábeis e Turismo. RC&F-Revista Contabilidade & Finanças, 27(72), 279-290.

 

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