RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 56, n. 1, janeiro-fevereiro 2016

Editorial: 
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Sete anos depois, a despedida

Nos últimos sete anos, estive como editor chefe da RAE e posso afirmar que foi uma experiência fantástica. Aprendi muito e passei a entender um pouco melhor a dinâmica do mundo das publicações científicas. Neste meu último editorial, o 37o, gostaria de fazer um balanço dos 36 que publiquei anteriormente neste espaço, com a expectativa de avaliar algumas das ideias que ajudei a veicular, sobre gestão de periódicos, internacionalização da produção científica, indicadores de impacto acadêmico, entre outras.

Com base nos dados de acesso medidos nos servidores em que está hospedado o website da RAE, pode-se ter uma avaliação aproximada sobre a repercussão desses editoriais entre os leitores da revista. De todos, o editorial mais acessado foi o da edição de 50 anos (maio/junho de 2011), seguido pelo que comenta a evolução dos indicadores da revista em 2011 (janeiro/fevereiro de 2012), deixando em terceiro lugar o que aborda a relação entre colaboração internacional e qualidade da produção científica (setembro/outubro de 2014). Enquanto os dois primeiros tiveram cerca de 30 mil acessos desde a sua publicação, o terceiro, mais recente, está entre os com mais acessos diários, apontando 45 leituras por dia desde que foi publicado.

Se classificados pelo tema abordado, dos 36 editoriais, 14 (quase 40%) trataram de aspectos relacionados à gestão de periódicos científicos, o que identifica claramente um dos assuntos preferidos deste editor. Nessa temática, foram abordados acesso aberto, plagiarismo, sistemas editoriais, modelos de negócio, regras de submissão, entre outros. Um desses editoriais, republicado com o título “Similar ou plágio? Novos desafios para a gestão de periódicos científicos”, manteve-se entre os top ten no blog de Humanas do Scielo em 2015.

O segundo tema mais abordado foi o da internacionalização, com oito editoriais que apresentam a evolução da RAE no cenário internacional e a relação entre colaboração internacional e qualidade da produção científica. Quando agrupados por temas, é possível perceber que, apesar de aparecer em um número menor de editoriais, o tema da internacionalização aparentemente atrai mais o interesse dos leitores no website da RAE: enquanto os editoriais sobre gestão de periódicos têm uma média de 16 acessos/dia, aqueles sobre internacionalização registram média de 24 acessos/dia.

A partir da segunda edição deste ano, os leitores da RAE contarão, nessa página, com o estilo e as temáticas da professora Maria José Tonelli, próxima editora chefe da revista. Ex-diretora acadêmica da FGV/ EAESP, pesquisadora experiente e atuante em boards de periódicos importantes, a professora Tonelli tem tudo para conduzir a RAE para patamares mais altos, consolidando sua posição entre os periódicos mais importantes dos países emergentes.

Despeço-me e agradeço a atenção dos leitores, a colaboração prestimosa dos editores científicos e avaliadores, bem como o interesse dos autores que submeteram seus artigos à RAE. Principalmente gostaria de registrar o empenho de toda a equipe de redação, que, com paciência, tenacidade e competência, transformou a RAE numa referência para a área de Administração, no País e também fora dele.

Nesta edição da RAE, publicamos dois artigos que apresentam uma perspectiva espanhola sobre responsabilidade social corporativa. Um deles, “Relation between background variables, values and corporate social responsibility”, discute a relação entre valores humanos básicos e a percepção pública acerca de responsabilidade social corporativa a partir de um estudo com estudantes espanhóis. O outro, “Corporate social responsibility and financial performance: The Spanish case”, analisa a relação entre responsabilidade social corporativa e desempenho financeiro em face do debate presente na literatura sobre a área, com base em uma amostra de empresas espanholas. Três outros artigos espanhóis os acompanham. “Influence of manufacturer signature on store brands’ loyalty and purchase intention” investiga as diferenças entre as probabilidades de compra de marcas de loja com e sem identificação do fabricante e sobre o papel moderador da assinatura do fabricante na intenção de compra. “¿Influye la personalidad de los directivos de pymes en los resultados exportadores?” é um estudo sobre variações entre valores de executivos de PMEs com e sem sucesso de exportação segundo a escala de Schwartz. “Comparative analysis of American and Spanish cruise passengers' behavioral intentions” pesquisa os efeitos da nacionalidade nas relações entre valor percebido, satisfação, confiança e intenção de comportamento de espanhóis e norte-americanos. Publicamos ainda “Critérios de estratificação e comparação de classificadores socioeconômicos no Brasil”, que aborda a comparação conceitual e metodológica de cinco classificadores para a estratificação socioeconômica da sociedade brasileira e mensuração dos trade-offs de erros de classificação entre eles, e “The role of earnings persistence in valuation accuracy and the time horizon”, que investiga a persistência dos ganhos sob a premissa de ser um bom insumo para modelos de avaliação de empresas e para orientação mercadológica e gerencial no longo prazo. Fecha a edição o artigo colombiano “Gestión humana de orientación analítica: Un camino para la responsabilización”, um estudo sobre a gestão humana que privilegia espaços de conversação nas organizações, por meio da verbalização que traz como efeitos a simbolização, a socialização e a responsabilização a indivíduos, grupos e organizações.

Completam esta edição a resenha do livro Elements of influence: The art of getting others to follow your lead e as indicações bibliográficas sobre neurociência aplicada à educação e psicoeconomia.

Tenham todos uma boa leitura!

Eduardo Diniz
Professor da Fundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de São Paulo – São Paulo – SP, Brasil
 
 

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