RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 54, n. 2, março-abril 2014

Editorial: 

O lançamento do fator de impacto do SciELO Citation Index tem implicações para a RAE, que possui um importante papel regional. Passamos a ter um indicador objetivo de nossa relevância local e complementar ao fator de impacto do Journal Citation Reports (JCR), índice que leva em conta basicamente revistas publicadas em inglês e não reúne em seu acervo as publicações brasileiras que mais citam e são citadas pela RAE. Por não incluir nossa base de referências regional, o cálculo do fator de impacto da RAE no JCR carrega o viés de uma alta parcela de autocitações, e, por outro lado, as revistas nacionais que são citadas pela RAE acabam por ter seu impacto subestimado, por não estarem na mesma base. 

Ganhamos, assim, nova alternativa para a avaliação de impacto, que se junta ao índice H, Scimago e outros, indicadores que são, porém, produzidos exclusivamente a partir dos periódicos que fazem parte de suas bases. Para entrar nesses grupos fechados, entretanto, é preciso uma longa maratona e muita tenacidade. Nesse cenário com variedade de avaliações formais de impacto e altas barreiras de entrada em bases mais consolidadas, alguns periódicos têm incluído em sua autopromoção indicadores alternativos, como o Google Scholar e o Universal Impact Factor, por exemplo. Se, por um lado, esse movimento traz o benefício de podermos sinalizar impacto por meio de indicadores mais inclusivos, pode haver, também, o efeito adverso de não conseguirmos aferir o rigor para entrada de periódicos nessas novas bases ou mesmo de podermos aferir com mais precisão como são feitos seus cálculos. 

Alguns periódicos, inclusive de editoras de prestígio, têm listado em seus sites os indexadores em que estão presentes. Entre tais indexadores, podemos encontrar o Qualis (CAPES), fato curioso, pois a classificação deste depende, em grande parte, da classificação do JCR e/ou do Scopus. Por conta disso, podemos ter, entre indexadores de menor alcance e abrangência internacional, alguma redundância no processo de avaliação, ainda que contemos com indicadores diferentes. 

No âmbito nacional, nosso sistema usa dessa variedade de indicadores e avalia pesquisadores por sua capacidade de publicar em periódicos de alto impacto, mas não necessariamente pela contribuição de seus artigos, os verdadeiros resultados de sua criação intelectual. Dado que a avaliação é feita olhando-se para o curto prazo e a meia-vida de nossos artigos tem um horizonte de tempo muito maior, imagina-se que esse modelo avalia a nossa expectativa de impacto, e não o impacto que de fato produzimos. Com isso, somos recompensados por publicar em periódicos muito citados, mesmo que nossos artigos nesses periódicos não sejam necessariamente os mais citados. 

Nesta edição da RAE, publicamos sete artigos. “Novas tecnologias e desempenho operacional: um estudo internacional comparativo” investiga a influência da antecipação de novas tecnologias no desempenho de 337 empresas de manufatura em 11 países. “Organizing resistance movements: contribution of the political discourse theory” analisa como a teoria do discurso político e dos estudos organizacionais tem sido empregada em estudos sobre movimentos de resistência. “Uma escola norte-americana no Ultramar? Uma historiografia da EAESP” avalia como a EAESP não se tornou uma cópia das escolas norte- americanas no contexto de americanização do ensino de Administração após a Segunda Guerra Mundial. “Conhecimento compartilhado, recursos de TI e desempenho de processos de negócios” investiga os efeitos de recursos e capacidades associados à tecnologia da informação e do conhecimento compartilhado entre gestores sobre o alinhamento operacional e o desempenho de processos de negócios. “Multilevel and multidimensional scale for online trust” é um estudo com 372 usuários de operações bancárias via internet na Espanha, com análise da confiança do consumidor em relação ao canal eletrônico de sua instituição financeira. “Governança tecnológica e cooperabilidade nas multinacionais brasileiras” é uma pesquisa de campo para avaliação da medida em que a governança tecnológica afeta a capacidade dinâmica de inovação e cooperação de multinacionais brasileiras. Em “Juegos Olímpicos y Paralímpicos en Brasil: aprendiendo de Barcelona y Sydney”, os autores investigam as metas do setor de turismo vinculadas às Olimpíadas e Paraolimpíadas no Brasil, considerando seu potencial legado e abertura ao turismo sênior e ao acessível.

Completam esta edição a pensata “Estetização do marketing”, assinada por Ricardo Teixeira Veiga, André Torres Urdan e Celso Augusto de Matos; uma resenha sobre o livro dos professores Howard C. Kunreuther, Mark V. Pauly e Stacey Mcmorrow; e as indicações bibliográficas a respeito do uso das imagens em pesquisas nas ciências sociais e sobre empreendedorismo, inovação e captação de recursos.

 

Tenham uma boa leitura!

EDUARDO DINIZ | EDITOR CHEFE

 

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