RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 5, n. 15, abr-jun 1965

Editorial: 

Escreve o Diretor da EAESP

"Acedo com satisfação ao convite para redigir, nesta data em que a REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRÊSAS inicia seu quinto ano de vida, o Editorial do número 15, e o faço não só porque é justo ressaltar o significado da data, mas também porque, a partir do pressuposto de que REVISTA já é bem conhecida dos senhores leitores, julgo oportuno expor, nesta ocasião especial, realizações e planos menos divulgados da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, que em dez anos tem acumulado, ao lado dessa obra importante que é a REVISTA, acervo respeitável de atividades nos campos do ensino e da pesquisa de Administração, e está presentemente voltada para a afirmação e a expansão dessas atividades. Criada em 1954, a Escola já formou cerca de 1. 300 alunos em seus três cursos regulares, de Graduação, de Pós-Graduação e Intensivo de Administradores. Firmada como centro de ensino e divulgação da Administração, tem ela dado assistência a outras instituições nacionais como as Universidades do Rio Grande do Sul e da Bahia na formação de professores e na criação de cursos de Administração e, mais recentemente, por acordo assinado com a 'Organização dos Estados Americanos", iniciado a formação de professores e administradores para outros países c dá América Latina. Além disso, a Escola vem prestando serviços a setores específicos da comunidade brasileira de negócios, por meio de cursos especiais no campo da Administração Bancária, por exemplo, e de seminários realizados em São Paulo e em outros estados, como Minas Gerais, Paraná e Pernambuco, para atender a solicitações de escolas e outras entidades. Do esforço de pesquisa dos docentes da Escola resultaram monografias, como a de Problemas de Administração da Pequena e Média Empresas, e diversos artigos publicados na REVISTA, que certamente os leitores conhecem. Desse esforço resultou, também, a redação de grande número de "casos", usados em sala de aula para a análise de problemas e o diagnóstico de soluções na Administração. No campo da publicação, estão sendo preparados pelos docentes da EAESP compêndios e coletâneas de artigos, relativos às áreas de Organização, Relações Humanas, Relações Industriais, Contabilidade e Finanças, Mercadologia, Produção, Economia e Legislação. Ao mesmo tempo, com seu rápido crescimento e em virtude dele, a Escola vem vivendo problemas que têm raízes na falta de uma sólida base econômico-financeira. Consciente disso, está a Direção da EAESP empenhada em uma reformulação global de sua política de oferta de serviços, para torná-la uma instituição autossuficiente e, ao mesmo tempo, possibilitar que os benefícios de suas atividades alcancem da maneira mais democrática a sociedade que se comprometeu a servir . O prédio próprio em que a Escola estará instalada em 1966 permitirá, em grande parte, a realização desses objetivos. As novas instalações, que permitirão elevar em cinco anos, com os mais modernos recursos didáticos, a capacidade acadêmica de 400 para 2.000 alunos por ano, aliadas à campanha financeira que se projeta levar a efeito proximamente e ao novo conceito de que o aluno é o maior beneficiário e portanto deve aceitar a responsabilidade de arcar com a maior parcela dos custos de sua educação, constituem os elementos básicos da fórmula que a EAESP se prepara para pôr em prática a fim de conseguir sua independência econômica. A redução do custo per capita e a constituição de um "Fundo de Bolsas" com os resultados da campanha financeira permitirão estender a todos os alunos necessitados empréstimos que lhes possibilitarão cursar a Escola sem dispêndio durante o curso, pois esses alunos pagarão pelo serviço recebido quando, já formados, forem capazes de gerar renda suficiente para devolver .à Escola o montante despendido em sua formação - única maneira de garantir a continuidade do processo educacional em bases realmente eficientes. Outras atividades serão desenvolvidas, visando, sempre dentro do mesmo princípio, à oferta de serviços técnicos do mais alto gabarito às empresas públicas e privadas e à realização de pesquisas de interesse mais restrito de setores particulares da economia. Na consideração do equipamento técnico necessário a todas essas atividades a atual Direção não se preocupa com fatôres limitativos e já se dispõe a reservar local, nas novas instalações, para equipamento eletrônico de processamento de dados dos mais modernos. A EAESP, que nos seus primeiros dez anos de vida desenvolveu imagem de enorme prestígio técnico, prepara-se agora para dar a essa imagem a garantia de continuidade e perenidade mediante o estabelecimento da necessária estrutura óssea que lhe permita manter-se em seus próprios pés e continuar crescendo aos olhos do País."

Raimar Richers

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