RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 42, n. 3, jul-set 2002

Editorial: 

O Manifesto de Estocolmo
No início de maio, Estocolmo foi palco para a realização do segundo encontro da European Academy of Management. O evento contou com 700 participantes e 466 trabalhos. Além da apresentação de trabalhos, o evento marcou um momento importante na busca por um novo patamar de cooperação entre as várias instituições acadêmicas existentes no mundo. No centro da discussão, o "Manifesto de Estocolmo", um documento ainda a ser validado, sumariando seis princípios de ação:
1. O reconhecimento da importância da gestão (management) como uma disciplina científica internacional.
2. O reconhecimento da multiplicidade de contextos para a gestão, para modelos de gestão e organização da pesquisa em gestão.
3. A importância da pesquisa em gestão para o desenvolvimento de uma sociedade próspera.
4. A importância do aumento do nível de cooperação internacional entre continentes e além das fronteiras nacionais.
5. A importância para os pesquisadores de gestão de moverem-se livremente pelo mundo para estudar a gestão em diferentes contextos.
6. O reconhecimento das associações acadêmicas, e a necessidade e compromisso para desenvolver princípios de colaboração entre os pesquisadores.

Entre os proponentes, estavam Kerstin Sahlin Anderson, Presidente da Scandinavian Academy of Management, Per Olof Berg, Coordenador da Conferência, Joan Enrique Ricart, Presidente da European academy of management, Jean Bartunek, Presidente da Academy of Management, Rolf Lundin, Presidente eleito da International Federation of Scholarly Associations of Management, Elisabeth Moore, Presidente da Australian New Zeland Academy of Management e este editorialista, Vice-presidente da Iberoamerican Academy of Management.

Alimento para a mente e a alma
Coerente com o movimento de integração mundial e respeito à diversidade, representado pelo Manifesto de Estocolmo, este número da RAE traz uma notável seleção de artigos, com autores de diferentes regiões do planeta, diferentes campos de pesquisa e diferentes abordagens.

Abrindo a revista, o Fórum de Jazz e Improvisação introduz um tema do momento, com três artigos. No primeiro, Karl E. Weick, singular pesquisador, trata de bandas de jazz, imperfeição e inovação. No segundo artigo, Mary Jo Hatch utiliza o jazz como veículo metafórico para tirar lições sobre estruturas organizacionais. No terceiro, Miguel Pina e Cunha associa diretamente jazz e improvisação.

Sete outros trabalhos complementam esta edição.

Na área de estratégia, Omar Aktouf procura analisar os elementos essenciais do pensamento estratégico dominante na cena acadêmica. No centro de sua crítica estão as idéias de Michael Porter.

No campo de recursos humanos, Diane-Gabrielle Tremblay apresenta uma pesquisa sobre o teletrabalho, analisando os impactos nas organizações e nas condições de trabalho. Mostra também as vantagens e desvantagens que os trabalhadores percebem nesta forma emergente de condução da atividade profissional.

Ainda na seção de recursos humanos, Roy Lubit apresenta um provocativo estudo sobre o fenômeno do narcisismo destrutivo entre executivos. O trabalho é complementado com recomendações sobre como lidar com o problema.

Na área da mercadologia, José Luis Felício dos Santos de Carvalho e Sylvia Constant Vergara discutem as experiências interativas e as vivências essenciais dos consumidores com os ambientes físicos de serviços.

No campo de finanças, Antonio Zoratto Sanvicente analisa a relação entre fluxos de entrada e saída de recursos nos fundos de ações no Brasil e o desempenho de alguns ativos fundamentais, como o Índice Bovespa, a taxa de câmbio comercial e a taxa de juros no mercado interbancário.

Na área de ciência e tecnologia, Stael Barquette examina, a partir das principais teorias da localização industrial, a questão da localização de incubadoras tecnológicas e de empresas de alta tecnologia.

Em Pensata, Alberto Luiz Albertin traça um panorama da evolução do comércio eletrônico no Brasil. O retrato mostra um cenário em transição, com mudanças substantivas de rumos.

Convite
Como já é praxe nos editoriais da RAE, renovamos aqui nosso convite a todos os pesquisadores para que considerem a RAE como veículo para a divulgação de sua produção acadêmica.

Boa leitura!
Thomaz Wood Jr.
Editor e Diretor

Expediente: 

O reconhecimento da multiplicidade de contextos para a gestão, para modelos de gestão e organização da pesquisa em gestão.
3.

Ficha catalográfica: 

O reconhecimento da importância da gestão (management) como uma disciplina científica internacional.
2.

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