RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 4, n. 12, jul-set 1964

Editorial: 

O Diabo da Impressão

 

O trâmite de um artigo destinado a publicação na RAE assemelha-se bastante ao fluxo de produção de um bem industrial . Como numa linha de montagem, o artigo passa por vários estágios antes de ser submetido à apreciação dos leitores . O processamento típico desse fluxo é descrito pelo esquema ao lado, em que as setas indicam dezenove fases de tramitação. Para o autor as fases decisivas do processo são os passos 2 a 5, em que o seu trabalho é lido e analisado por diversos membros do Corpo Redatorial. Trabalhando individualmente e sem conhecerem a autoria do artigo, os redatores se desincumbem da delicada e, por vezes, ingrata tarefa de entrosar-se numa tese ou conceituação da qual eventualmente discordam, mas cuja exposição merece o seu respeito, talvez até sua admiração. Fazer críticas objetivas é a norma primordial da análise redatorial. É dela que surgem recomendações estruturais, quer quanto ao conteúdo, quer quanto à exposição ou à formulação do assunto . O autor, naturalmente, não está obrigado a aceitar essas sugestões, mas costuma apreciar a troca de opiniões com membros do Corpo Redatorial. Bem por isso o redator-chefe não só lhe envia uma súmula das críticas conjugadas dos redatores, como costuma designar um deles para discutir com o autor o assunto ventilado no artigo. É desse intercâmbio que costumam surgir as contribuições mais ricas em conteúdo e em ideias originais. Aprovado o artigo, passa ele por intensa fase de revisões: primeiro, a linguagem é submetida ao severo teste do nosso revisor (passo 6); depois, o texto datilografado é lido, conferido e revisto por diversas vezes (passos 8 e 11) antes de ser submetido aos cuidados do linotipista. A gráfica, por sua vez, está incumbida das primeiras revisões tipográficas e do preparo das provas (passos 13 e 14) . Nós, da Redação, fazemos a última revisão das folhas já paginadas (passo 16), na qual, em havendo tempo, o autor é solicitado a colaborar. Finalmente, a Revista é impressa e distribuída (passos 17 a 19) na esperança de que tudo saia a contento, não só dos que tenham participado desse complexo processo de refinamento, mas, sobretudo, daqueles a quem o trabalho se destina – os nossos leitores. Há ocasiões, contudo, em que o empenho de nossa equipe de trabalho sucumbe em fase das artimanhas do “Diabo da Impressão” (Druckerteufel, como o chamam os alemães). Ao que parece, esse não-sei-que diga nunca anda desprevenido, aproveitando-se de qualquer descuido da Redação. Com efeito, recentemente fomos vítimas de um desses descuidos ao publicar um artigo que, por sua excelência de conteúdo, nos levou a abreviar o caminho de revisão acima descrito. O Bruxo do Inferno não hesitou e, entre outras travessuras, fez-nos imprimir uma recomendação que numa revista dedicada à administração de empresas pode causar espécie: “...[entre os] objetivos básicos de qualquer tipo de controle [está o de elaborar] planos para [...] eliminar os lucros [...]” (sic)! (Vide n.º 10, pág. 40.).  Pela evidencia da natureza de erro (tipicamente de impressão) a muitos a afirmação não afetou; alguns porém protestaram, como protestou, também . o autor. Tínhamos de tomar uma atitude. A “passar por cima” do incidente ou publicar uma simples errata, preferimos reimprimir o trabalho, oferecendo  ao seu autor não só a oportunidade de erradicar os erros, como também a de burilar, ainda mais, a forma de expressão do seu pensamento. Daí nossa recomendação: não leiam o artigo “Controle  Orçamentário: Metodologia e Técnica” de W. J. Huitt Yardley Podolsk, no número 10 da RAE: leiam-no agora, no presente número, à página.

 

Raimar Richers

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