RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 36, n. 3, jul-set 1996

Editorial: 

OS FOCOS DA GLOBALIZAÇÃO

Há um ditado popular, se não estou enganado de origem lusitana, que afirma: "Não há mal que sempre dure nem felicidade que nunca se acabe". Ao que parece, a globalização, ou pelo menos a discussão sobre o tema, encaixa-se nesse ditado. Já se ouve falar de desglobalização, fragmentação, "fractalização"; desconfia-se das possibilidades de serem resolvidos, em curto prazo, problemas como violência, crescimento da ineficiência do Estado; e problemas eternos, como habitação, saúde, educação, bem-estar social, são resolvidos só parcialmente. De concreto, pode-se apostar no crescimento do peso especifico da sociedade civil cansada, exaurida mesmo, de ouvir promessas oficiais. Este número da RAE investiga algumas dimensões da globalização e suas repercussões no âmbito empresarial. Assim, reunimos dois temas: empresa familiar e papel das mulheres para entender um pouco mais a versão tupiniquim das desigualdades por gênero no universo empresarial. Qualidade de vida e sucesso foi o aspecto central das palestras proferidas por Paul Evans quando esteve em São Paulo, a convite da PMC/AMROP. Marketing e Finanças foram contemplados com artigos bem específicos, na esteira do processo de diferenciação temática que temos imprimido à RAE. O mesmo acontece com o artigo sobre Sistemas de Informação. Destaque especial foi dado ao tema Administração Pública que mereceu dois artigos: o primeiro parte de uma pesquisa, examinando a relação entre decisões em políticas públicas e estruturas organizacionais/ institucionais; o segundo, de Peter Ward, em inglês, abriga a preocupação com administração municipal. Como já foi diagnosticado, a RAE, para estar atualizada, tem que ser um pouco eclética. As resenhas sobre as obras de Barry Curnow e John Mclean Fax e de Pierre Lévy e Michel Authier reforçam o ecletismo, pois trazem para discussão questões como carreiras para a terceira idade e processos de aprendizagem. No particular momento em que a modernidade se aposenta, a pós-modernidade se dilacera e a globalização fica "em banho-maria", a RAE, procurando se distanciar para melhor compreender, adota estratégias de multiplicação temática, tentando iluminar aspectos importantes dos processos pelos quais estamos sendo atropelados e/ou atravessados. Sempre é bom lembrar que quando se lança um foco de luz sobre uma parte da realidade, outras partes permanecem no escuro. Será muito difícil acreditar que é possível aceitar a incerteza como princípio fundador de nossa experiência no mundo da vida e viver com entusiasmo? Mais uma vez, caro leitor, você é mais do que bem-vindo.

Prof. Roberto Venosa

Diretor e Editor da RAE

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