RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 34, n. 6, nov-dez 1994

Editorial: 

Nenhum regime ou ideologia política pode, por si só, deslocar a pobreza de espÍrito de um povo. Ela se desloca pelo sentimento de solidariedade comprometimento e busca de um bem-estar comum.

Quem se propõe a entender o sucesso japonês de gestão industrial, desenvolvimento tecnológico e crescimento econômico certamente vai cair nas armadilhas das contradições da Terra do Sol Nascente. Mas, com certeza, terá no fator qualide uma segura explicação para muito desse sucesso. Nenhum país do mundo comprometeu-se de tal forma com a qualidade dos produtos a ponto de colocá-la como uma estratégia compectiva nacional, mesmo que isto tenha, paradoxalmante, custado muito da chamada qualidade de vida desse povo. É que o Japão entendeu o reflexo em nível macro daquilo que Deming Insistia em nível micro. A leitura japonesa para "qualidade é custo" de Deming foi "qualidade é investimento"... investimento internacional e poupança de investimento doméstico! Mas nem todas as nações conseguem perceber que economia do consumo não é economia do desperdício e que por trás de todo sucesso-econômico existe uma estratégia bem pensada, compreendida e socialmente aceita de engajamento empresarial e privado. Como todo bom especialista em tecnologia da informação acaba mais ceda ou mais tarde aprendendo, as nações também devem acabar percebando que é impossível pensar-se em organizações isoladas de suas relações com outras organizações e seu público e que todos estamos no mesmo cadinho quando pensemos globalmente. O Japão foi capaz de entender esta verdade e transformá-la em atributos da qualidade, o que significou repensar a distrubuição de papéis e atividades de todas as organizações envolvidas em redes e cadeias de valor. E dai, a importância da estrutura informal dos grandes conglomerados proscritos pelas forças de ocupação - zaibatsu- na fomlação das gnandes parcerias tio presente - keiretsu - onde a disciplina e o respatto feudal - gambate - orientam-se pelo Budismo e pelo Confucionismo, gantindo um engajamento social focado na qualidade como investimento competitivo. Qual povo, hoje, está disposto a sacrificar conscientemente uma geração de individuas na busca de um ideal comum como fez o Japão? Quais organtzações estão conscíente e dispostas a investimentos de longe maturação e a repensarem a sua distribuição da ganhos na fomação da um quadro da funcionários e dirigentes alinhados com a cultura da qualidade? Que funcionários e dirigentas estão disposíos conscientemente a sacrificarem os benefícios de hoje para uma melhor qualidade da vida futura? Com honrosas e nem sempre justificadas excações, o cidadão japonês á socialmente "enquadrado" e financeiramente pobre para os padrões da acumulação ocidanteis mas respira uma nação que se reconstrói com base em dois paradígmas da qualidade: fazer as coisas certas da primeira vez e melhorar continuamente - katzen - mesmo que seja necessário reprojetar tudo. E o detalhe desse último paradigma os apóstolos dos programes de qualidade total parecem até agora não haver compreendido.

 

Prof. Marilson Alves Gonçalves
Dretor e Editor da RAE

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