RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 33, n. 5, set-out 1993

Editorial: 

"A organização competitiva na atual economia do conhecimento se renova não por reformas, mas por mudanças."

Em seu livro, Managing for the Future, Peter Orucker sinaliza que estamos experimentando uma nova ordem econômica mundial integrada não pelo livre comércio ou pelo protecionismo, mas - e cada vez mais - pela reciprocidade econômica, um sistema híbrido onde blocos ou regiões econômicas são estruturadas por transnacionais, regionalmente integradas, cada vez mais intensivas em informação e cada vez menos intensivas em capital e mão-de-obra.Por outro lado, Tom Peters. em sua recente produção Liberation Managemant, demonstra enfaticamente que somente organizações que forem capazes de descentralizarem poder e desconcentrarem operações sobreviverão numa economia global inconstante e desetralizada. Isto significa o fim dos staffs centrais e a emergência de um novo perfil de funcionário empreendedor com amplos poderes de negociação, ao lado de grupos de trabalho autogeridos e de equipes de projeto que vão reduzir o trabalho das equipes funcionais. O que há de comum entre as contribuições destas tão consagrados autores? A sociedade ou economia do conhecimento é a resposta. Caminhamos - a largos passos em direção a uma nova era onde a principal arma estretégica das organizações serão as pessoas e a principal arma estratégica destas pessoas será o conhecimento. Observe o valor que os governos e as organizações Investem em pesquisa, educação. formação, treinamento e em informação e teremos a revelação de quais organizações e países serão os lideres do século que se avizinha - o reino do braínware em uma economia interdependente. A nível organizacional - conforme enfatizam Drucker e Peters - Isto significa quebrar as antigas hierarquias, gerando uma "desorganização necessária" onde o executivo não mais é avaliado em termos de quantas pessoas a ele se reportam - ou quanto é o seu orçamento de despesas! - mas pela necessidade de Informação para o desempenho de suas funções, pela contribuição que dá à aprendizagem organizacional em termos de novos paradigmas, conhecimento, cuttura, informação e, principalmente, pelas diferentes formas de relacionamento necessárias - e utilizadas - para a execução do seu trabalho. Nesta nova ordem econômica, livre de medos e de culpas condicionadas pelo exercício do poder nas velhas hierarquias, será natural a resistência das atuais estruturas organizacionais despreparadas que estão para lidar com uma Incerteza ambiental crescente, com o exercício da responsabilidade e com a necessidade de gerir os novos valores que penetram as suas fronteiras por meio do inevitável turnover ou que são "embutidos" nos softwares e hardwares dos insumos necessários à agregação de valor aos produtos e seviços. Por esta razão, as pequenas e médias empresas são candidatas naturais a dispararem à frente nesta nova economia do conhecimento, dispensando cada vez mais a natureza atual do apoio governamental a que estão sujeitas em todas os países. A capacidade de se articularem para estabelecer relações de reciprocidade - como demonstra o caso japonês- e de valorizarem o capital humano é vital para a inovação e a campetitividade e está sendo decisiva para o processo de mudança de paradigmas em Administração e Economia bem como para o entendimento das organizações não mais como elementos isolados, mas pelo papel que desempenham em sua Ecologia Organizacional.
A RAE tem dois motivos significativos para comemorar o seu primeiro ano de novo formato, diagramação e inserção como uma nova opção de mídia. Os contínuos aprimoramentos que estamos desenvolvendo acabaram por demonstrar que a RAE é uma bela vitrina para quem escreve, para quem lê e para quem anuncia. Pela primeira vez, rompemos a barreira-teto de anúncios por edição que nos impusemos como indicador de aceitação pela mídia. Pela primeira vez, a oferta de bons artigos de autores intemacionais foi tamanha que optamos por uma edição orientada pela colaboração de autores fora do Brasil. Pela quantlidade de pepers que temos recebido em nossa Redação, começamos a solidifícar a política editorial de que o autor da RAE deve escrever para ser lido e não apenas para ser publicado.

 

Prof. Marilson Alves Gonçalves
Diretor e Editor da RAE

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