RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 33, n. 2, mar-abr 1993

Editorial: 

"A Cultura da Qualidade é o resultado de um processo de educação permanente onde se busca não a satístação com um fim em si mesma, mas a oportunidade de crescimento".

Quando E. F. Schumacher, nos anos 50 e 60, desenvolveu todo um trabalho de reflexão que acabou por culminar em sua obra mais conhecida- Small is Beautiful- ele não estava apenas criticando a maneira pela qual os economistas avaliam a produção e o progresso das nações, mas sinalizando a necessidade de se incorporar um novo atnbuto na avaliação e medida do desenvolvimenta econômico: a qualidade. Além disso, ele procurou demonstrar que toda Teoria Econômica astá baseada num certo sistema de valores humanos, de tal sorte que, quando este sistema muda, deve-se alterar a Teorla e, portanto, a forma de se avaliar o resultado da produção econômica e as políticas de seu desenvolvimento" O que Schumacher havia descoberto é que a questão qualidade é função dos valores do sistema social em análise e, desta forma, deve ser trabalhada de uma forma contingencial e não-prescritiva Curiosamente, Schumacher ficou conhecido- e, talvez, ele próprio tenha se confundido- pela apologia do ser pequeno" e não pela sua principal contribuição ao pensamento contemporâneo que foi a da qualidade de vida. Numa época em que desenvolvimento econômico foi sinônimo de propensão a consumir, houve uma voz- a de Schumacher- que se levantou para questionar a "qualidade" deste consumo e, Indiretamente, o próprio numerador de sua eficiência: a efetiva satisfação no viver. Esta mudança nos valores de análise sócío-econômica levanta questões que estão além da esfera de governo. Talvez esteja além dos valores que presidem as relações atuais entre o capital e o trabalho. Compreende uma mudança da visão Malthusiana Insumos de produção em direção a um questionamento do resultado do que fazemos com estes insumos em termos de qualidade de vida, o que tem provocado uma redefinição do próprio "papel" dos recursos humanos e das organizações na atividade econômica, Sinais desta transmutação de valores aparecem na redefinição das fronteiras e das relações intarorganizacionais, no surgimento da organizações substantivas, na redesooberta dos custos e dos valores efetivos da produção econômica das empresas e das nações, na conscientização ambiental e nas mudanças -do "formato" das relações empregatícias. Em Administração a questão da qualidade se apresenta de maneira muito singular, uma vez que ela está envolvida tanto com a "produção" da satisfação de clientes, como com a qualidade de vida do sistema social responsável por esta "produção". Em outras palavras, a qualidade á tanto uma exigência de mercado quanto uma responsabilidade social- e, até por que não?- direta ou indiretamente relacionada com o progresso das nações. Ao nível organizacioonal, a qualidade deve estar Inserida nas pautas das decisões sobre terceinzação e parcarias, na gestão de recursos humanos. no processo poético da renovação geracional, nas Questões ambientais e nas estratégias de obtenção de vantagens competitivas. Infelizmente, a qualidade tem sido inserida nas organizações por um outro caminho: o da necessidade de reduções de custos e da simples sobrevivência organizacional. A falta de cultura da qualidade tem feito as organizações utilizála como cortina de fumaça para dsfarçar programas de reduçao de custos e de deslocanentos de poder. Enquanto os administradores não entenderem que programas de qualidade Moderna em assimilar objetivos reais, podemos estar correndo o risco de sepultar mais um movimento importante no desenvolvimento da gestão empresarial enquanto os estudiosos não fizerem uma leitura da qualidade enquanto oportunidade do crescimento pessoal, corporativo ou social - será difícil caminharmos em direção a uma avaliação mais "fina" do real sentido do progresso econômico.
Nesta edição, mais uma vez a RAE procura inovar, criando uma seção orientada para as questões da gestão ambiental a RAE AMBIENTAL. Atende a uma recomendação da Direção Geral da Fundação Getúlio Vargas no sentido de consolidar seu papel como instituição sensivel a causa ambiental. Tanto através de publicações esporádicas, quanto de publicações sistamáticas, a Fundação Getúlio Vargas tem firmado uma tradição de contribuir com a Ecologia e com a Gestão Ambiental. A partir da edição nº 2192, Quando publicamos um número voltado para questões ambientais, a Direção da RAE estabeleceu um firme propósito de incorporar definitivamente esta temática em suas publicações. Fomentou artigos e definiu posteriormente um formato gráfico e uma linha editorial de maneira que a RAE AMBIENTAL não se transforme numa publicação episódica. Nada mais justo que o texto de autoria da Professor Benedicto Silva - A Vez de um Pacto Planetário- tenha sido escolhido pelo Editor da RAE como a primeira publicação da RAE AMBIENTAL. Afinal foi ele o autor da proposta de inclusão de um "encarte verde" nas publicações da FGV.

 

Prof. Marílson Alves Gonçalves
Diretor e Editor da RAE

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