RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 32, n. 3, jul-ago 1992

Editorial: 

     "Não é possível confiar em planos que desconheçam o que já existe."                                  

Um dos maiores desafios da Administração está em garantir que o direcionamento estratégico organizacional seja efetivamente operacionalizado pelo seu sistema de adicionamento de valor econômico e que seja coerente com o mesmo. Coerência estratégica a nivel operacional significa fazer acontecer de acordo com opções diretivas. Mas não ao ponto de transformar o sistema de agregação de valor num dinossauro não-adaptativo, íncapaz de reagir a coações do lado da oferta e do lado da demanda. Congruência de valores e de ações. Capacidade de resposta a mudanças ambientais. Desafios permanentes da Administração no sentido de garantir que o discurso seja coerente com as práticas e que os resultados tenham valor econômico. De um lado, a construção da identidade organizacional; de outro, a construção da legitimidade socíal e econômica. Complicador adícional para uma coerência estratégica a nível operacional, a busca da identidade e da legitimidade organizacional se dá em meio a uma intensa disputa pelo controle das ações e dos resultados da Administração o que acaba por pulverizar funções, gastos e investimentos, mascarar objetivos reais, valorizar insumos e não resultados e internidizar interesses conflitantes normalmente alheios á missão organizacional. Sobreviver a esta permanente luta de readequação organizacional envolve, entre tantas necessidades, o que se poderia chamar de "Administração da Aprendizagem Organizacional", no sentido de, a cada instante,se conhecer a real capacidade da organização em firmar a sua identidade e construir a sua legitimidade. A Administração que não valorizar este processo permanente de aprendizagem, corre o risco de administrar uma coisa pensando ser outra, base da falta de coerência estratégica a nível operacional e da administração como um fim em si mesmo. Administração Revisitada significa este processo permanente de auto-conhecimento e reformulação organizacional em termos de recursos, resultados e adequação à demanda. Deve estar presente nos insumos, processos e produtos de qualquer ação administrativa. Numa revista deve estar também presente em seu acervo. Neste sentido, a Direção da RAE, com o apoio da Profª Yolanda F. Balcão, identificou alguns artigos considerados "clássicos" publicados pe(a RAE e formulou a seguinte pergunta a seus autores: se você tivesse que reescrever este artigo hoje, que modificações voce faria? O resultado foi esta coletânea de artigos revisitados que simboliza duas opções políticas da RAE. Primeiro, cuidar para que o seu acervo esteja permanentemente atualizado e não se converta num "arquivo morto", ou num dinosauro nito-adaptativo, respeitando o interesse do leitor e contribuindo para uma evolução permanente. Segundo, representa a implantação de um "departamento" permanente na Revista -a RAE revisitada. Não se trata de um mero reprint de artigos do passado, mas a publicação repensada, revista e renovado, incorporando não apenas uma reafirmação ou reposicianamento do autor com relação ao tema, mas a incorporação do progresso conceitual e dos fatos de Administração na área de influência do artigo. Esta edição da RAE também é particularmente importante porque é o marco de transição de uma política de publicação trimestral para uma política de publicação bimestral. Representa uma firme decisão prática de maior aproximação do leitor e de garantir uma razão maior da oferta de artigos, cumprindo a sua missão de busca de excelencia como canal de veiculação das contribuições acadêmicas e do pensamento admínistrativo de ponta no Brasil.

Prof. Marilson Alves Gonçalves 
Direror da RAE

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