RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 31, n. 3, jul-set 1991

Editorial: 

Depois de ser objeto de tantas análises econômicas e sociológicas, chegou a hora de a organização ir para o divã. Na matéria de capa desta edição, Fernando C. Prestes Motta aborda a relação entre a organização e o indivíduo, do ponto de vista psicanalítico, com uma erudição austera e muita sensibilidade. Hermano Cherques faz uma reflexão sobre a produtividade e as estratégias para aumentá-la - assunto clássico na administração, que ganha maior relevância num momento em que as empresas brasileiras se defrontam com um mercado mais aberto. O operário tem aparecido na RAE nos estudos das relações entre o capital e o trabalho, seja no processo produtivo, seja na prática sindical. Desta vez, em artigo de minha autoria, ele é retratado em outra dimensão de sua vida: aquela que diz respeito ao uso que faz de seu tempo de não-trabalho. É importante conhecer melhor este personagem, com o qual o administrador se relaciona em toda a sua prática profissional. O tema da privatização continua na ordem do dia. Arthur B. Ramos, com base em um estudo da trajetória do IRI - Instituto per la Riconstruzione Industriale - da Itália, contribui para o equacionamento dessa questão. A colaboração internacional é também um texto eminentemente pragmático. Nele o autor tenta ajudar o empresário a definir seus objetivos e a organizar o sistema de aprendizagem mais eficaz para atingi-los. Embora faça um uso um tanto peculiar de certos conceitos, como o de Weltanschauung, realiza um esforço sistemático para dar conta da tarefa que se propõe. Estes são òs destaques desta edição, que conta, ainda, com as suas demais seções habituais. Com este número, estou encerrando meu trabalho de quase seis anos na direção da Revista de Administração de Empresas, para assumir outras funções na própria Escola de Administração de Empresas de S. Paulo. Nesse período, foi possível tirar a RAE da crise em que se encontrava e transformá-la novamente numa publicação que nos enche de orgulho, após uma reformulação completa da revista propriamente dita, de seus processos de edição, editoração, produção, circulação, vendas de assinaturas etc., parte da qual foi sendo relatada, aos poucos, ao longo das inúmeras cartas ao leitor que escrevi. Foi um trabalho imenso, ao qual me dediquei de corpo e alma. Mas não foi um esforço solitário. Ao contrário, contei sempre com uma equipe interna competente, criativa e incansável; com a confiança e o estímulo da Fundação Getúlio Vargas; com o apoio das diretorias da EAESP e com a colaboração de inúmeros colegas, não só na avaliação de textos, mas também na discussão de projetos, em estudos de viabilidade, seleção de equipamentos, promoção da revista em eventos diversos, para dar alguns exemplos, sem falar na elaboração de matérias da revista; com muitos funcionários da EAESP que, sem pertencerem "oficialmente" à RAE, fizeram regularmente uma série de serviços de apoio, desde licitações até pagamentos, passando pela confecção de softwares, cartazes de divulgação, promoção, além da responsabilidade por algumas seções fixas. Contei também com empresas que cuidaram da arte e da produção da RAE com muito zelo e empenho; com a colaboração de alunos e ex-alunos, que me auxiliaram em momentos diversos; e com recursos do CNPq, em duas edições. Last, but not least, contei com a acolhida e os incentivos de um público leitor crescente, crítico, mas generoso, que foi, na verdade, o alvo de todo este esforço. A todos quero expressar meus mais profundos agradecimentos. A RAE encontra-se agora no limiar de uma nova etapa, cheia de desafios. Despeço-me, desejando boa sorte a meu sucessor.

 

Gisela Taschner Goldenstein
Diretora-responsável da RAE    
                                                                             
                    

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