RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 31, n. 1, jan-mar 1991

Editorial: 

Os períodos de recessão costumam ser marcados, entre outras coisas, por uma "queima de capital" e também por fusões, compras e vendas de empresas. É na recessão que os empresários procuram se reorganizar, para tentarem "sair à frente" quando se iniciar um novo ciclo de crescimento econômico. É mais do que oportuna, portanto, a matéria de capa desta edição da RAE, sobre avaliação de negócios. Ela ganha interesse ainda maior, por apresentar, segundo seu autor Mauro Mello, uma metodologia de avaliação compatível com as imperfeições do mercado brasileiro. Em outro artigo, Antonio Z. Sanvicente analisa o custo de tais imperfeições, no que se referem especificamente ao nosso mercado de capitais, através da comparação entre o que seria esperado em um mercado perfeito (teórico) e o que é observado na prática, em aspectos como o endividamento das empresas e o custo de falência. E ainda tratando de custos, Marcelo A. Amoroso Lima traz uma sólida contribuição para se detectarem e minimizarem custos ocultos, derivados de disfunções organizacionais. É um texto denso, a começar por seu título quilométrico, mas volta-se diretamente para a solução de problemas práticos. Merece ser lido com toda a atenção pelo administrador. Na área internacional, há dois artigos importantes. O primeiro, que João Bernardo nos envia de Portugal, propõe-se examinar as relações entre o capital e o trabalho no contexto paradoxal de uma estrutura produtiva mundializada e de um movimento sindical preso a parâmetros nacionais. O segundo, de Célia Carbone, mostra como os países da Comunidade Econômica Européia, preparando-se para a unificação, vêm lidando com as desigualdades sócio-econômicas das populações que a integram. É um texto muito sugestivo para nós, que há tanto tempo e sem ter qualquer solução à vista, enfrentamos uma problemática semelhante no interior de nossas fronteiras nacionais (ainda que em um contexto distinto etc.etc.). A Pesquisa Bibliográfica também tem um tema de especial interesse: os códigos de barras. Angelo Soares explica o que são, como funcionam, quais as vantagens e dificuldades ligadas a sua utilização; e Heraldo Vasconcellos apresenta uma farta bibliografia a respeito. De uso generalizado em países do Primeiro Mundo, mas ainda incipientes no Brasil, os códigos de barras não podem mais ser ignorados pelos empresários, pois sua difusão parece ser uma tendência irreversível. São esses os destaques desta edição. Mas ela conta ainda com suas tradicionais seções fixas, entre as quais, como vem ocorrendo no primeiro número de cada ano, o índice completo da RAE do ano passado.

Bom Proveito!

 

Gisela Taschner Goldenstein
Diretora-responsável

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