RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 30, n. 4, out-dez 1990

Editorial: 

Os novos sistemas tecnológicos, administrativos e de produção, além de estarem sendo continuamente avaliados e reavaliados, têm colocado para os países de industrialização tardia algumas questões candentes: é possível transplantar esses novos sistemas e tecnologias para países que têm culturas distintas e diferentes disponibilidades de recursos materiais e humanos? é conveniente fazer isso? que adaptações são necessárias? faz sentido importar partes isoladas - ou é preciso implantá-los por inteiro? Tais questões perpassam a maior parte do que se escreve atualmente sobre administração de empresas e ainda não obtiveram respostas consensuais. Elas estão presentes em inúmeros textos desta edição da RAE, diretamente ou como pano de fundo. Assim, os trabalhos de Afonso Fleury e de Déa Lúcia Teixeira resultam de estudos comparativos internacionais. O primeiro trata de capacitação tecnológica no Brasil e no Japão. A segunda analisa um caso de evolução de CCQs em nosso país, à luz da experiência francesa. O comentário de Leão R. Machado de Carvalho ("pode não ser este recurso o que te falta") e a pesquisa bibliográfica, sobre a administração japonesa, inserem-se também nessa linha. Na seção de colaboração internacional, Stephen J. Wood faz uma análise acurada e incisiva da configuração mais recente da chamada nova onda administrativa, ao passar em revista algumas das publicações mais significativas do final dos anos oitenta. Na área de Marketing, o retardamento proposital da montagem final de certos produtos é apresentado por Walter Zinn como uma espécie de "JIT parcial" vinculado ao processo de distribuição de mercadorias, que permite equilibrar melhor o volume de estoques, o grau de diversificação de produtos e a demanda concreta do mercado. O autor avalia essa técnica e suas oportunidades de utilização. Mas há preocupações que se tornam mais urgentes no curto prazo, dadas as previsões de recessão para o início de 1991. É isso o que justifica, como matéria de capa, o artigo de Hélio de Paula Leite e João C. Hopp sobre a origem dos prejuízos. Finalmente, há dois trabalhos de especial interesse para os profissionais de Recursos Humanos. O de Cecília W. Bergamini analisa o peso de fatores ambientais e de características de personalidade na conformação dos diferentes estilos de comportamento motivacional, fornecendo elementos preciosos para a elaboração de estruturas de carreiras e para a alocação de pessoal. E Kurt E. Weil apresenta um método de avaliação quantitativa do treinamento de gerentes.

Boas Festas! E, na medida do possível, feliz ano novo!

 

Gisela Taschner Goldenstein 
Diretora-responsável

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