RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 30, n. 3, jul-set 1990

Editorial: 

A abertura do mercado às importações, após o que se convencionou chamar de década perdida, juntamente com outras medidas do governo Collor, coloca em relevo a questão da competitividade, que pode se tornar crucial para o sobrevivência de muitas empresas brasileiras nos anos noventa. É a essa problemática que o núcleo de matérias especiais dá destaque na presente edição. Assim, José Carlos de Toledo analisa o conceito de qualidade e busca situá-la face ao mercado e ao processo de inovação tecnológica. José Roberto Ferro, em didático artigo sobre o "Ohnoísmo", explica o que é o sistema de produção flexível de massa, como surgiu e como funciona. Após sua leitura, ninguém mais terá o direito de confundir JIT com KANBAN. Jacques Trahand e Norberto Hoppen mostram os sistemas especialistas em gestão, suas principais áreas de aplicação, suas vantagens e limitações e avaliam o potencial que sua utilização oferece para as empresas brasileiras, fazendo uma série de recomendações aos administradores que tenham interesse em implementá-los. Em outra linha, as constatações de Angelo Santos Soares, em sua pesquisa sobre a automação e as secretárias, são importantes para se fazer uma reflexão crítica sobre as novas tecnologias, que vêm sendo indevidamente tratadas como a nova panacéia social, no Brasil e em outros países, A pesquisa bibliográfica sobre competição industrial complementa as preocupações que norteiam este núcleo de matérias especiais. Fora dele, há ainda outros trabalhos de grande relevância. Na área de Finanças, Hélio de Paula Leite e Antonio Z. Sanvicente trazem uma contribuição para o debate sobre qual é o preço justo de uma empresa em funcionamento. Analisam o conteúdo informacional do valor patrimonial e sua (in)utilidade como indicador do valor das ações negociadas, em comparação com as operações que a empresa emissora dessas ações tem condições de levar a cabo no futuro. Newton da Costa Jr., por sua vez, faz uma avaliação das sazonalidades nos retornos do IBOVESPA, no que se referem aos efeitos "dia-da-semana" e "mês-do-ano". Na seção de colaboração internacional, Manfred F.R. Kets de Vries e Danny Miller trazem um prato cheio para os profissionais de Recursos Humanos. Constroem três tipos ideais de narcisismo e analisam como eles se refletem em distintos estilos de liderança. A partir daí, indicam como identificar um administrador que se enquadre em um desses estilos e o que a empresa pode e não pode fazer para neutralizar os traços negativos associados a cada um. Lembro ao leitor que esta edição contém ainda nossos tradicionais informativos, imprescindíveis para quem quer se manter atualizado com relação a teses, publicações e eventos na área de administração de empresas. Finalmente, chamo a atenção para as mudanças gráficas apresentadas neste número. O objetivo é tornar o visual da RAE mais limpo e funcional, facilitando a sua leitura. Espero que essa novidade seja bem-vinda.

Bom proveito!

 

Gisela Taschner Goldenstein 
Diretora-responsável

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