RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 29, n. 4, out-dez 1989

Editorial: 

For whom the bell tolls

Em 13 de setembro de 1989, a EAESP-FGV completou 35 anos de existência. A comemoração foi bem ao estilo da Casa: alegre, mas discreta, reverenciando sua memória e inaugurando novos empreendimentos. Havia e há muito o que comemorar, Criada em um momento em que o pequeno porte de nossas empresas (na maioria familiares) mal deixava entrever a escala gigantesca que começariam a assumir alguns anos depois, com a implantação da indústria pesada no Brasil, e em uma época na qual a idéia de um administrador profissional de alto nível ainda causava estranheza entre alguns empresários, a EAESP já nasceu com as características do pioneirismo e da seriedade, herdadas de sua alma mater, a FGV, e que se tornariam a marca registrada de ambas. E tais características certamente a ajudaram a desenvolver sua competência, a crescer como cresceu desde a inauguração do seu primeiro "CIA" - o Curso Intensivo de Administração, que se multiplicou em cursos de graduação e pós-graduação, especialização e extensão, cobrindo as áreas de administração de empresas, administração pública e economia de empresas, em núcleos de estudos, de assessoria, de pesquisas e publicações, na própria RAE - e a adquirir o renome internacional de que hoje desfruta. Com sua alta exigência de qualidade e com um clima organizacional de corte pluralista, e EAESP-FGV insere-se no seletíssimo rol de instituições às quais todo mundo tem orgulho de pertencer. Ao registrar estes fatos, alinho-me entre aqueles que se reuniram para homenagear a EAESP-FGV e aproveito o ensejo para dizer, com satisfação, que na RAE - o órgão desta instituição pelo qual tenho tido a honra de ser responsável nos últimos anos - temos também algumas coisas a comemorar. Lembro-me de que quando me tornei sua redatora-chefe, em 1986, a RAE debatia-se em uma profunda crise; as edições saíam com atraso, a circulação estava em queda contínua, a diagramação era pobre e pesada, muitos possíveis colaboradores de primeira linha esquivavam-se de nos mandar textos, pois não se sabia quando seriam publicados e os leitores eram poucos. Após uma longa busca de soluções, na qual inúmeros professores da Escola ajudaram muito, a RAE encontrou seu caminho; a produção inteira da Revista passou a ser feita pela EAESP, a Redação centralizando o controle de todas as operações. Com isso, apurou-se a qualidade e reduziu-se o prazo de feitura de cada lição, garantindo-se ainda a pontualidade das publicações. No plano do conteúdo, ela voltou a centrar seus textos na área de administração de empresas, e foi situada na interface do mundo acadêmico com o dos negócios, de modo a servir à teoria e à prática. Paulatinamente muitas seções novas foram surgindo: as pesquisas bibliográficas, as colaborações internacionais, as cartas à Redação, os artigos em destaque, os artigos especiais, o editorial.. E os textos passaram a contar com resumos e palavras chaves em português e inglês, Foi feito um novo projeto gráfico para a RAE, com diagramação mais leve, matérias ilustradas e capas bonitas, que a tornaram muito mais atraente e fácil de ler do que antes. Além disso, outras alterações que não aparecem, mas que se refletem sobre a qualidade do produto final, foram introduzidas. Entre elas, a Redação começou a ser informatizada, e foram estabelecidas normas detalhadas para a formatação e para a avaliação dos textos enviados pelos colaboradores. Este projeto começou a ser implantado em meados de 1988, com a anuência da FGV e com a ajuda inicial de recursos do CNPq. Os resultados não tardaram muito. Dos cerca de 600 assinantes que tínhamos previstos para o primeiro número que fizemos da "nova" RAE, atingimos uma circulação que, na presente edição, deverá ultrapassar 4.000 exemplares. Temos recebido colaborações cada vez melhores e em maior número. A Revista tem saído em dia e cada nova edição tem sido objeto de calorosa acolhida, manifesta em cartas, telefonemas etc, Estamos implantando agora uma coordenadoria comercial para a Revista. Fecho, pois, o editorial deste último número de 1989 com muita alegria e a sensação do dever cumprido, esperando que a RAE possa prosseguir sua trajetória ascendente e dar conta do muito que ainda há por ser feito.
Last but not least, quero agradecer ao leitor pelo apoio recebido em todo este período, lembrando-lhe que é a você, afinal de contas, que todo este esforço é dedicado.

Feliz 1990!

 

Gisela Taschner Goldensten

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