RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 28, n. 3, jul-set 1988

Editorial: 

Esta edição é um marco fundamental para a RAE. Pela primeira vez em sua história, ela foi confeccionada inteiramente em S. Paulo, sob a responsabilidade da EAESP, a Escola de Administração de Empresas de S. Paulo, da Fundação Getúlio Vargas. De fato, desde a sua criação, nos idos de 1961, a RAE tinha apenas a Redação em S, Paulo e era editada no Rio de Janeiro, pela Editora da F. G. V. Nos últimos anos, no entanto, ela passou a sofrer uma série de percalços em seu processo de produção gráfica e industrial, que se traduziram em atrasos crescentes em suas datas de circulação, os quais Já ameaçavam comprometer sua periodicidade. Tais problemas levaram a RAE a ter todas as suas etapas de produção transferidas para S, Paulo, a partir da presente edição. Os objetivos imediatos da centralização de operações na EAESP são encurtar o ciclo de produção da RAE e recuperar sua periodicidade, através do cumprimento rigoroso de seus cronogramas. Com isso a Revista toma-se apta a acolher temas mais atuais, cuja discussão é muito importante para a prática da administração, sem desprezo pelos textos teóricos, essenciais para a reflexão científica na área e que integram tradicionalmente o seu conteúdo. E os primeiros frutos já aparecem nesta edição. A informática é o tema central, e é dissecada em diversos aspectos - sem pretensões de esgotar o assunto - do seu emprego e produção. Fensterseifer e Bastos analisam os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi verificar o estado da arte dos sistemas de gestão da produção das indústrias brasileiras de grande porte, no que tange à informatização. S. Rodrigues examina o impacto potencial da informática sobre a estrutura e o processo organizacionais e sobre a relação entre o trabalhador e sua tarefa, mostrando que ela pode levar tanto a uma racionalização como à geração de disfunções burocráticas, da mesma maneira que pode levar tanto a um aumento como a uma redução do stress no trabalho. Tais efeitos dependem fundamentalmente do modo pelo qual a área burocrática, os padrões de controle e supervisão e os conceitos de organização do processo de trabalho são ajustados às novas possibilidades criadas pela informatização das empresas. Prochnik preocupa-se mais com a produção de informática e sugere maneiras pelas quais a universidade e a empresa podem se integrar nesse esforço. Soares, por sua vez, faz uma análise do impacto da automação sobre a ordem econômica internacional, alertando-nos sobre as inquietantes perspectivas que se colocam para o Terceiro Mundo, caso se concretize a nova tendência detectada de as plantas industriais das multinacionais "retornarem" para os países mais desenvolvidos, graças à robotização dos processos produtivos. E para quem estiver preocupado com o problema da reserva de mercado nessa área, temos à disposição uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. Mas há outros assuntos que merecem também atenção. Na análise do Parecer Normativo CST 46/87, à luz do princípio da estrita legalidade da tributação, Braga coloca em questão a validade do referido Parecer no mundo jurídico. A aceitação ou não de suas conclusões tem um impacto significativo sobre as possibilidades de atuação das empresas no Brasil, em sua busca de caminhos menos onerosos do ponto de vista tributário. Na área da Psicologia Industrial, Arakcy M. Rodrigues apresenta os resultados de um estudo feito em uma grande indústria automobilística de São Paulo, sobre as representações de um grupo de supervisores em relação ao trabalho; nele, a relação homem-tarefa emerge corno a variável de maior poder explicativo das diferenças encontradas nas respostas do grupo. Prato cheio para os profissionais de Recursos Humanos e para os organizadores dos processos de trabalho. O estudo de Mattos, por sua vez, busca estabelecer, a partir de uma série de simulações em computador, o que pode vir a ser uma política salarial mais justa, nas condições de inflação em que vivemos atualmente. Não se deve esquecer, finalmente, das resenhas e de nosso tradicional informativo sobre livros e teses. O projeto gráfico também foi objeto de cuidados, tendo em vista tomar mais agradável a leitura da RAE, Deu muito trabalho. Mas estamos felizes em apresentar esta edição a você.

Bom proveito!

 

Gisela Taschner Goldenstein
Redatora-Chefe

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