RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 28, n. 1, jan-mar 1988

Editorial: 

Paulo Cesar Motta e Carlos Alberto Pamplona abrem esta edição com um trabalho em que utilizam o Método Analítico de Hierarquias na seleção de projetos de desenvolvimento de novos produtos em uma empresa. O interesse do artigo reside não só no fato de os autores aplicarem tal método a esta área e de mostrarem como fazer isso; como eles trabalharam em uma situação na qual a escolha efetiva dos projetos fora feita previamente, de acordo com outros critérios, tradicionais, seu estudo é também um teste do próprio método. Francisco Lima C. Teixeira faz uma análise detalhada e profunda da dinâmica empresarial e tecnológica das empresas que compõem o Complexo Petroquímico de Camaçari, mostrando as perspectivas e limitações que enquadram o crescimento deste pólo daqui para a frente. É uma leitura obrigatória para quem está preocupado com nossa industrialização de maneira geral e com as possibilidades de avanço tecnológico no interior de sistemas empresariais assentados sobre o chamado modelo tripartite de capital (nacional privado, estrangeiro e estatal). A questão do equilíbrio entre receita e despesa vem sendo tratada, habitualmente, com base no conceito de ponto de equilíbrio ou break even point, a partir do qual emerge o indicador conhecido como margem de segurança. Em seu artigo sobre a relação custo-volume-lucro, Magnus Amaral da Costa faz uma avaliação crítica deste enfoque, quando aplicado a empresas que fabricam e vendem mais de um produto; e propõe ainda uma nova fórmula para o cálculo da margem de segurança. Um artigo com repercussão prática imediata. Os temas tradicionais não foram esquecidos e Reynaldo Maia Muniz brinda-nos com um didático artigo sobre a relação entre o capital e o trabalho e entre o capital e o poder. Além disso, a RAE conta, nesta edição, com uma colaboração do exterior. Ê de Fernando Lacueva, da Universidade de Navarra, Espanha, que comparece com um texto cuidadosamente traduzido por José Carlos Barbieri, no qual faz algumas reflexões sobre estratégia empresarial; uma questão sempre complexa, especialmente num país como o nosso, em que os parâmetros de longo prazo têm sido pouco seguros. Entre os comentários, Valdir Ramalho procura mostrar que quem investiu em OTNs e nas cadernetas de poupança durante o Plano Cruzado saiu prejudicado, em função das taxas de correção monetária adotadas pelo Governo em relação a essas aplicações para o mês de fevereiro de 1986. Victor Prochnik, por sua vez, fornece um panorama recente da colaboração entre universidades e empresas no exterior, no que tange ao setor de informática, mostrando pontos de convergência e de conflito de interesse que vêm marcando tal interação, bem como algumas das maneiras pelas quais eles vêm sendo equacionados. A estratégia competitiva tem sido objeto de grande interesse ultimamente. Por isso ela é o objeto da pesquisa bibliográfica preparada para esta edição por Heraldo Vasconcellos e precedida de uma verdadeira aula sobre o tema, de autoria do Prof. Eduardo Borba de Araújo. Cabe lembrar, finalmente, que às tradicionais resenhas bibliográficas e o informativo sobre os últimos lançamentos de livros e teses na área de administração também fazem parte deste número e que a Redação continua receptiva a cartas e sugestões dos leitores.

Bom proveito!

 

Gisela Taschner Goldenstein
Redatora-chefe da RAE

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