RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 27, n. 4, out-dez 1987

Editorial: 

Como é possível avaliar o desepenho de uma empresa e aferir seu "lucro real" em um país que vive sob uma inflação alta como a nossa, em que as aplicações financeiras açambarcam recursos destinados aos investimentos produtivos, em que os mesmos índices de correção de ativos são usados por empresas sujeitas a impactos de inflação distintos, em que os mesmos intervalos de tempo burocraticamente definidos para feitura de balanços e demonstrativos financeiros são utilizados na avaliação de resultados de empreendimentos dotados dos mais díspares ciclos de duração? Nosso artigo de capa, de J. C. Hopp e de H. P. Leite, procura respostas para essas questões. Os empresários ocidentais, por razões diversas, parecem ter mais dificuldades do que outros - os japoneses, por exemplo - na obtenção da fidelidade dos funcionários às organizações em que trabalham. Nesta edição apresentamos dois artigos que, embora autônomos, voltam-se para temas que podem ser importantes variáveis para se lidar com essa problemática: a percepção do clima organizacional e a satisfação no trabalho. O primeiro, de L. H. S. Gutierrez, resulta de uma pesquisa feita entre os ocupantes dos diversos escalões hierárquicos de uma indústria gaúcha sobre percepção de clima, motivação e satisfação no trabalho. O segundo, de autoria de M. S. C. Marinho, é de natureza mais teórica e avalia o estado-da-arte das perspectivas analíticas da satisfação no trabalho. Outro problema que continua na ordem do dia é o da (oni)presença do Estado em nossa vida. Em um texto de fôlego, F. C. F. Motta traça a evolução das formas de organização do Estado e analisa o crescente poder da tecnoburocracia pública e privada, os interesses que ela defende, as formas de legitimidade em que se apoia e perscruta a (im)possibilidade de este segmento atuar como agente construtor de uma sociedade mais igualitária do que a atual. A área da Saúde também merece toda a atenção do administrador: não só como questão social, mas também porque influi diretamente sobre a qualidade da mão-de-obra disponível para as empresas no presente e no futuro. O texto de A. M. C. Baêta detecta alguns dos motivos pelos quais grande parte da população, embora seja financiadora do Sistema Nacional de Saúde, não cobra seus direitos quando precisa dos serviços que ele deve oferecer. Mas entre todos os temas, os que mais frisson vêm causando no momento são os que os termos entrepreneurship e, mais recentemente, intrapreneurship designam. Neste contexto, ganha especial interesse o comentário de M. A. A. Lima sobre o que se discutiu na Babson College Conference sobre entrapreneurship deste ano. E pelo mesmo motivo, a Pesquisa Bibliográfica desta edição é totalmente dedicada a esses dois temas. O texto de E. B. Araújo, que comenta a bibliografia, é, aliás, o primeiro fruto das atividades do GEGE - Centro Integrado de Estratégia e Gestão Empreendedora - que se vem desenvolvendo na EAESP-FGV desde junho passado, com o objetivo de estimular o espírito empreendedor em organizações de todos os tamanhos. O CIEGE vai se dedicar inicialmente à pesquisa e ao ensino, procurando adequar a vanguarda da teoria à realidade empresarial brasileira, devendo, em um segundo momento, abrir uma linha de assessoria à comunidade. Last but not least, gostaríamos de agradecer aos leitores e colaboradores pelas manifestações de carinho e entusiasmo com que foi recebida a RAE 3/88 - a primeira feita integralmente na EAESP, sob nossa responsabilidade. Esperamos que esta edição da RAE que ora lhes entregamos possa ser tão bem-vinda quanto a última.

Bom proveito!

 

Gisela Taschner Goldenstein
Redatora-Chefe da RAE

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