RAE-Revista de Administração de Empresas, vol. 24, n. 3, jul-set 1984

Editorial: 

A EAESP, completando neste mês de setembro 30 anos de atividades, pode levar-nos a adotar atitudes laudatórias e reflexivas. Ambas são inteligíveis, porém as reflexivas parecem-nos, as mais apropriadas para registrar aqui. É inegável que a EAESP muito realizou nos seus primeiros 30 anos, tendo havido momentos em que os caminhos trilhados pelo desenvolvimento da administração entre nós e a história da EAESP se identificaram. Isto é a verdade do desenvolvimento do ensino de administração, particularmente na modalidade empresarial, dos cursos pioneiros de pós-graduação, lecionados no início da década de 60, bem como do próprio formato organizacional adotado. Criada em 1954, a EAESP já se iniciou sem cátedras, tendo em seu lugar departamentos de ensino e carreira de professores que iam, naquela época, do auxiliar de ensino ao titular, numa época em que apenas se começava a agitar entre nós a questão da reforma universitária, e que só se efetivaria dali a uma quinzena de anos. A experiência da EAESP foi objeto de várias análises interpretativas, algumas de inspiração marxista, onde é vinculada à internacionalização da economia e ao conseqüente atrelamento da burguesia nacional aos interesses mais amplos do capitalismo multinacionalizado. Neste contexto, a formação de quadros "adequados aos novos tempos" seria sua missão específica. Outras leituras da experiência eaespiana a colocam num contexto de mudança planejada e bem-sucedida, em que contribui para a formação de administradores mais equipados para enfrentar uma economia moderna. Esta breve nota não é o local para que discutamos interpretações aparentemente díspares, O fato de que elas tenham sido realizadas atestam a importância que a EAESP adquiriu. A EAESP não se explica sem as pessoas e organizações presentes à sua formação. Não poderíamos deixar de registrar primeiramente a Fundação Getúlio Vargas, instituidora e desde então a entidade mantenedora, A figura de Luiz Simões Lopes, desde aquela época à frente da FGV, o Governo paulista, o Governo federal, representado pelo Ministério da Educação e Cultura, e apoio decisivo do Governo dos EUA, que se materializou pela manutenção de missão universitária a cargo da Michigan State University, que entre nós permaneceu pouco mais de 10 anos. A colaboração norte-americana ainda permitiu que se treinasse nos EUA grande número de professores, em graus avançados, que sempre constituíram o principal ativo da EAESP. Após estas colocações, nos encontramos hoje numa instituição maior, mais complexa e mais madura. As experiências iniciadas na área de administração empresarial se estenderam e passaram a englobar a administração pública, saúde e hospitais e várias outras. Por mais que nos orgulhemos da sigla da Escola, todos reconhecem que deixou de ser apenas uma escola de administração de empresas, para englobar outras modalidades administrativa. É indiscutivelmente bom ter 30 anos, especialmente numa sociedade onde muitos experimentos não vingaram. Preocupa aos 30 anos o futuro que vim do passado, e o presente que só possa se alimentar de expectativas futuras. Esperamos, e nos empenharemos para, continuar aqui na EAESP uma experiência fecunda, realizando ao longo dos anos vindouros as alterações renovadoras indispensáveis para que, mesmo sem o charme juvenil dos primeiros 30, desenvolvamos o viço sereno 30. A fim de retirar desta nota o caráter de egocentrismo institucional que fatalmente acabou ocorrendo, lembramos que os milhares de alunos que passaram por nossos diversos cursos e o apoio da comunidade em que estamos colocados são os nossos estimuladores e simultaneamente os beneficiários de nossas atividades.
EAESP, setembro de 1984.

 

Carlos Osmar Bertero
Diretor da EAESP/FGV

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