GV-executivo, vol. 6, n. 5, set-out 2007

Editorial: 

Entregamos aos nossos leitores, nesta edição, um núcleo dedicado à educação executiva. Acredito que poucas pessoas que hoje têm 50 anos de idade tenham deixado de passar por alguma atividade que possa ser considerada como de educação executiva. Os artigos que formam o núcleo abordam vários aspectos da educação executiva e suas modalidades. Nenhum deles acha que estamos diante de fenômeno passageiro e que possamos prescindir de educação executiva. Isso é válido tanto para as pessoas como para as empresas, e para as diversas escolas e outras organizações que oferecem programas de educação executiva.

Freqüentemente, no meio acadêmico brasileiro, reservas surgem pelo fato de se ter adotado um modelo de negócio para o oferecimento desses programas. Na verdade, as escolas oferecem programas que tendem a flutuar em função do mercado. A sua própria aceitação e sobrevivência dependerão do mercado, e com os programas as escolas pretendem atingir objetivos que são igualmente típicos de um modelo negocial: obter receita e em montantes que possam gerar um superávit, complementar salários de professores e de outras pessoas envolvidas com os programas e simultaneamente relacionar-se com o mundo empresarial e, assim, inserir-se na comunidade prestando algum tipo de serviço. Os resultados financeiros positivos podem também servir para apoiar atividades de pesquisa e publicações, e permitir se continue ofertando programas acadêmicos que com freqüência geram receitas que não são suficientes para cobrir seus custos.

O modelo de negócio entre nós é criticado por alguns devido à sua possível ganância e até mesmo por serem lucrativos. Talvez um resquício católico de nossa cultura, de que há algo sempre pecaminoso em obter lucros ou superávits em atividades educacionais. Acreditamos ser conveniente lembrar que o modelo de negócio tem virtudes na medida em que propicia às instituições de ensino e seus professores estímulos financeiros, e também pelo fato de que o mercado não é necessariamente uma entidade maligna. Pode-se até ver nele traços de democracia, na medida em que aquilo que o mercado aceita e demanda é sempre o querer da maioria.

Este é o derradeiro número que edito desta revista. Fui designando para outras tarefas no âmbito da Fundação Getúlio Vargas que me levam a ter que deixar estes afazeres, que sempre me foram muito gratificantes. Ao assumir a direção deste periódico, há cerca de três anos, encontrei uma excelente equipe que me foi legada por meu antecessor. A todos eles deixo aqui registrado o meu agradecimento. Meu sucessor será o professor Francisco Aranha, que já editará o último número de 2007. Conforta-me, na "perda", saber que a revista certamente ganhará com o novo diretor-editor.

Carlos Osmar Bertero
Diretor e editor

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