GV-executivo, vol. 6, n. 4, jul-ago 2007

Editorial: 

Movimentar objetos, mercadorias, gêneros e víveres sempre foi problema sério para a sobrevivência da humanidade desde a mais remota antiguidade. Curiosamente, apesar da importância e das óbvias dificuldades, as coisas não andaram depressa durante aproximadamente 1.800 anos. Napoleão, no início do século XIX, movimentava seus exércitos com a mesma velocidade com que Júlio César movimentava as legiões romanas na conquista da Gália, aproximadamente 50 anos antes de Cristo.

Mas, de repente, ou seja, em 1870, os alemães conseguiram dar um inesperado xeque-mate na França, vencendo a Guerra Franco-Prussiana. Isto graças à velocidade com que deslocaram tropas, armamentos, especialmente peças de artilharia, víveres e demais gêneros alimentícios. O que acontecera? A Alemanha estava adiante da França no desenvolvimento ferroviário. De lá para cá as coisas se aceleraram, e transportes e logística passaram a ser elementos decisivos. Não só transportando tudo com mais rapidez e a distâncias maiores, mas também revolucionando o nosso próprio modo e estilo de vida.

Mas o que atualmente deve merecer nossa maior atenção é a importância da logística tanto para a eficácia como para a eficiência de um sistema econômico. Países eficientes e competitivos são os que possuem boa logística, entre outras coisas. Países menos competitivos são aqueles deficitários em diversas áreas, e inevitavelmente em logística. A importância da logística para a economia e para os negócios foi percebida desde há já algum tempo. Quando a Sears Roebuck ascende como o primeiro importante modelo de instituição varejista, no início dos anos 20 do século passado, o escolhido para ser seu primeiro CEO profissional foi um general que atuara durante a Primeira Guerra Mundial como comandante da intendência do exército dos Estados Unidos.

O "Custo Brasil" se compõe de vários fatores, dentre eles um sistema tributário inadequado, população pobremente educada, deficiências de infra-estrutura, o que pode ser traduzido, sem dificuldades, como pobreza em sistemas de transporte e armazenamento e, portanto, precariedade ou insuficiência logística. Se os problemas são de enorme gravidade, que se refletem num sistema ferroviário entrópico, num sistema rodoviário que não se expandiu e deixou até de ser mantido, de portos e aeroportos insuficientes, com "apagões" aéreos já quase rotinizados, não há urgência nem priorização para as soluções.

Nosso núcleo de artigos desta edição traz aos nossos leitores alguns aspectos das nossas dificuldades logísticas, com a esperança de que o futuro possa ser diferente do passado e do presente.

Carlos O. Bertero
Diretor e Editor

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