GV-executivo, vol. 6, n. 3, maio-jun 2007

Editorial: 

Esportes são praticados pela humanidade desde sempre. É difícil estabelecer um momento ou uma cultura determinada em que a prática do esporte tenha surgido. Nossos registros mais fortes encontram-se na Grécia, com as Olimpíadas, e em Roma e seus sangrentos jogos e lutas de gladiadores praticados em arenas que se espalharam por todo o império por mais de setecentos anos. A Idade Média nos traz à memória os torneios em que sangue não chegava a ser derramado, ou seja, o vencedor não era proclamado depois que seu oponente tivesse sido morto, mas onde o mundo das guerras era estilizado e evocado.

Isso nos leva a inferir que os esportes carregam a marca das culturas e dos povos que os praticam. Entre os gregos, o esporte expressava a concepção de que a realização humana implicava agilidade, destreza e beleza em adição às habilidades intelectuais. Os esportes romanos expressavam a brutalidade e a habilidade de um povo, cujo destino se apoiou em sua capacidade militar de conquistar, matar, subjugar e dominar.

E o que comentaríamos sobre a prática do esporte em nossos dias, em nossos países e culturas? A resposta seria inevitavelmente mesclada: há traços herdados do universo grego, em que se cultua o corpo. O declínio de traços puritanos levou a uma valorização do corpo. A proliferação de academias e de uma miríade de equipamentos para "malhações" é um indicador. Há, também, traços de brutalidade em diversos esportes. Talvez o boxe seja o mais evidente, mas muitos outros esportes carregam violência e belicosidade implícitas, como o hockey sobre patins e mesmo a esgrima.

Há, por fim, esportes que se praticam cujo prazer fica restrito aos esportistas.Outros, dão prazer a quem os assiste. O futebol é hoje o esporte rei entre os que são assistidos por bilhões de pessoas em certas ocasiões, como campeonatos nacionais, regionais e a famosa, e sempre esperada, Copa do Mundo, possível sucedânea em nossos dias das Olimpíadas gregas e dos grandes jogos de gladiadores no Coliseu.

O traço que o esporte parece manter em todos os tempos e culturas é o da competição. Necessariamente há vencedores e derrotados, e isso explica, possivelmente, muito do fascínio e da permanência do esporte ao longo das eras.

Contudo, em nossos dias o esporte assumiu uma característica que nunca havia possuído em outras épocas e culturas: a de se ter transformado em fenômeno de massa e adquirido as características de uma verdadeira indústria. Embora as categorias de esporte amador e profissional ainda existam, não mais significam ausência de envolvimento de diversas organizações, as quais têm como denominador comum o de serem negócios. Nesta categoria incluem-se os clubes ou equipes, a imprensa especializada, as revistas e negócios editoriais ligados ao esporte, cadeias de TV e rádio, fabricantes de equipamentos e trajes para toda sorte de praticantes.

Para que a "indústria do esporte" exista e opere, torna-se imprescindível a participação de profissionais de administração. Acreditamos que administrar o esporte em todas as organizações envolvidas justifica a existência de um nicho com características e problemas específicos. Esta edição de nossa GVexecutivo é dedicada à gestão de atividades esportivas, presentes em uma sociedade imensa e massificada.

Carlos Osmar Bertero
Diretor e Editor

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