GV-executivo, vol. 6, n. 2, mar-abr 2007

Editorial: 

Ainda não perdemos o fascínio com o Estado enquanto motor do crescimento econômico. As explicações podem ser encontradas no enorme caminho de sucesso que colhemos por quase meio século, quando, a partir de 1930, o Estado passou a intervir na economia, não apenas como formulador de política econômica, mas também como ator decisivo atuando como regulador, legislador, investidor e empresário.

Empresas estatais foram criadas nos mais diversos setores e durante décadas o país cresceu a taxas sustentadas que acabaram por nos transformar no país do futuro, com a diferença de que então o futuro já era saboreado no presente através de avanços e realizações palpáveis. Havia investimentos privados, nacionais e internacionais, mas capitaneados pelos investimentos estatais, que se faziam presentes em infra-estrutura e em setores industriais e de serviços fundamentais. Mas, ao redor de 1980, o período "desenvolvimentista" terminou. Não se deixou de insistir, mas com poucos resultados. Vieram algumas privatizações e o mundo inegavelmente mudou, mas o nosso país permaneceu e ainda permanece em atitude ambígua.

Embora o Estado esteja "quebrado" e a carga tributária de quase 40% não seja capaz de gerar mais do que 2% de investimento público, ainda nos voltamos para o Estado como motor a fazer mover novamente nossa economia com taxas que superem os medíocres índices que nos acompanham nos últimos 20 anos.

Dirigimos aqui um convite aos nossos leitores para que deixem, caso o tenha, o fascínio com o Estado enquanto investidor. Encontrarão neste número um núcleo de artigos sobre PE-VC-Private Equity/Venture Capital, assunto pouco versado fora dos círculos dos que mexem com finanças empresariais e de preferência com finanças internacionais. Como os termos sugerem, trata-se de capital privado, não estatal, em busca de oportunidades de investimentos em bons e promissores negócios.

Não se pode alterar a realidade macroeconômica de que o nível de crescimento depende de poupança que se transforme em investimentos. Sem investimentos não se criam empregos, não se aumenta o estoque de renda a ser distribuída e fica bem mais difícil incluir os excluídos.

Recursos financeiros para investimentos que venham do setor privado devem ser bem-vindos quando não parece haver no horizonte perspectiva de redução do gasto público ou direcionamento do dinheiro público para aumentar o estoque de investimentos.

Fundos de Private Equity e Venture Capital desfrutam de importância e popularidade variável mundo afora. Em nosso país, ainda encontram-se no estágio inicial, mas devem ser vistos como importante alternativa para o futuro. Servem de estímulo a empreendedores, e a experiência internacional indica que o empreendedorismo privado constitui fonte indiscutível de crescimento econômico.

Carlos Osmar Bertero
Diretor e Editor
 

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