GV-executivo, vol. 5, n. 3, jul-ago 2006

Editorial: 

Apresentamos neste número um núcleo de artigos dedicados a bancos. O assunto é sempre palpitante, pois bancos são fundamentais e importantes em nossas vidas sob diversos aspectos.

Primeiramente vêm as razões econômicas. Nenhuma economia é saudável se não possuir um sólido sistema bancário. Não se pode conceber estabilidade e prosperidade se os bancos não estiverem devidamente saneados. Alguns entre eles são abençoados; outros são amaldiçoados porque oferecem crédito a juros extorsivos.

Mas por que os bancos, banqueiros e executivos bancários são um foco neurótico de nossas ambivalências? Ninguém condena Bill Gates por ter um patrimônio de aproximadamente 55 bilhões de dólares. Já foi maior, tendo chegado a 75 bilhões. Ninguém condena ou se queixa de que empresas em diversos ramos aufiram lucros elevados. Há até júbilo quando se fala que determinada empresa desenvolveu um novo modelo de negócio ou amealhou bilhões em pouco tempo.

Bancos lidam com dinheiro e talvez essa seja a razão de tantos sentimentos de ambivalência em relação a eles. E isso significa que ainda lidamos mal com o dinheiro, mesmo depois de vários séculos tendo que lidar com ele. As primeiras moedas teriam sido cunhadas pelos sumérios na alvorada da vida civilizada há aproximadamente 7.000 anos.

Muitas coisas aconteceram a partir daí com a humanidade e com o dinheiro. Ele assumiu várias formas, desde dentes de animais, pedras, moedas em metal e papel-moeda até documentos muito abstratos como títulos, ações e derivativos. Mas tudo isso representa as metamorfoses do dinheiro em um carrossel secular. O dinheiro é sempre desejado, mas gera sentimentos de culpa. Enriquecer é desejável, mas é também necessário ser filantropo a fim de "reparar" os ganhos realizados distribuindo parte de seus benefícios aos demais.

Talvez o dinheiro só encontre paralelo no sexo, pois a humanidade também lida mal com este há séculos, independentemente das diferenças culturais. Foco de tensões, de sentimentos de culpa, mas também de prazer e realizações afetivas e emocionais. Embora a humanidade não possa passar sem ele, até mesmo para continuar existindo, não se conseguiu fugir em diversas épocas e culturas do elogio ao celibato, à virgindade e à castidade como modos superiores de vida.

Bancos e sexo: assuntos palpitantes e explosivos. Vamos apenas mencionar o paralelo, e não aprofundá-lo, para evitar maiores riscos. Por ora deleite-se e sofra lendo o que apresentamos sobre bancos.

Por último, uma nota de nossa redação. Lembramos a nossos leitores que nossa GV-executivo, a partir deste ano, tornou-se uma revista bimestral. Além disso, e com base em sugestões levantadas em pesquisa com nossos leitores, realizamos algumas ações de aperfeiçoamento da revista, entre as quais merecem destaque alterações no projeto gráfico e na legibilidade dos textos, tornando-os mais fluidos e próximos da linguagem dos negócios. Agradecemos aos que colaboraram com nossa pesquisa e esperamos que as modificações ajudem a consolidar nossa revista como a melhor opção em periódicos de gestão e estratégia no país.

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