GV-executivo, vol. 5, n. 1, fev-abr 2006

Editorial: 

O varejo é uma atividade econômica que esteve quase sempre conosco. É contemporânea da produção, mas não das formas de produção. Por essa razão é que ele de certa forma existiu noutras culturas, noutras épocas e até em sistemas econômicos que antecederam o capitalismo.
Como é lembrado em um dos textos que estamos publicando neste número, no qual se faz o resgate do varejo, no Brasil ele já se esboça na Colônia. Na verdade, embora tenha sido impulsionado de maneira decisiva pela Revolução Industrial, que, tendo gerado a produção em massa, acabou por pressionar para a comercialização também massificada, o varejo precedeu-a
Atualmente o varejo responde por substancial parte de nossa atividade econômica. Em um PIB de aproximadamente R$ 2 trilhões de reais, o varejo responde com aproximadamente R$ 650 bilhões, ou seja, um terço. Naturalmente o varejo pode incluir desde o mascate até os modernos shopping centers e as cadeias de lojas especializadas que só fazem se expandir. Nossa opção ao planejar este número foi pelas atividades de varejo que hoje são importantes para o universo de nossos leitores, e assim se explica o foco em supermercados, problemas financeiros do varejo e questões de recursos humanos para a empresa varejista.
Outro aspecto importante é o de ser o varejo um grande empregador. E para todos os tipos de mão de obra, com pessoas portadoras das mais diversas qualificações e até as pouco qualificadas. Para administradores e consultores, tem se tornado fonte importante de emprego e clientes. Se algumas linhas tênues da classificação da atividade econômica fossem rompidas e incluíssemos no varejo o conjunto de serviços prestados pelos bancos múltiplos, especialmente os maiores, que acabaram por se autodesignar de varejo bancário, certamente a participação do setor no PIB iria bem além do terço.
Apesar de seu longo passado, e até mesmo por causa dele, o varejo continua a se transformar. As modernas tecnologias de informação foram decisivas. TI e posteriormente o acoplamento de TI com telecomunicações e a Web ainda estão a produzir transformações que longe estão de esgotar o potencial inovador das tecnologias referidas.
Um tema de atualidade é a potencialidade dos mercados de baixa renda e seu uso para aumentar demanda e conseqüentemente a taxa de crescimento econômico. O tema da "base da pirâmide", conforme inicialmente colocado por C. K. Prahalad, como forma de trazer bens e serviços aos que estão nos estratos de renda mais baixa e de integrá-los como cidadãos por meio do consumo, não pode prescindir do varejo
Por fim, em grande parte os artigos aqui veiculados são oriundos de pesquisas em andamento no GVcev - Centro de Excelência no Varejo - da FGV-EAESP, que há vários anos vem acumulando experiências neste campo e marcando sua contribuição com o desenvolvimento de novas compreensões sobre o varejo no país. No mais, que o leitor faça boa leitura!

Carlos Osmar Bertero
Diretor e Editor
 

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