GV-executivo, vol. 4, n. 1, fev-abr 2005

Editorial: 

Esta edição é dedicada a três temas obrigatórios nas agendas dos executivos: responsabilidade social, ética e meio ambiente. Nenhum deles é novo, porém ganharam exposição e relevância nos últimos anos.
A discussão da questão ambiental está presente no Brasil desde pelo menos a década de 1970, com a construção das usinas nucleares em Angra dos Reis e o caso crítico do pólo petroquímico de Cubatão. A partir daí, conhecimentos e tecnologias evoluíram, assim como as práticas empresariais. Entretanto, permanece uma lacuna apreciável entre "o que se faz" e "o que deveria ser feito".
A questão da responsabilidade social é mais recente e pode ser vinculada às mudanças relacionadas ao papel do Estado, ocorridas a partir da década de 1990. Em paralelo com o crescimento das organizações não-governamentais, muitas empresas passaram a implantar programas de responsabilidade social. Por ora, os resultados são heterogêneos: alguns programas foram bem-sucedidos e geraram benefícios tangíveis, porém outros se tornaram meras peças de promoção da imagem organizacional.
O tema da ética é também cercado de ambigüidades e contradições. Dimensão central da existência humana, no mundo corporativo a ética surgiu como moda gerencial nos anos de 1980, a partir dos escândalos financeiros ocorridos nos Estados Unidos. Recebeu um esforço de popularidade nos anos de 1990, novamente por causa de escândalos em grandes corporações. No Brasil, diversas empresas criaram códigos e comitês de ética. Resta verificar o quanto o discurso encontra respaldo em fatos.
Em seu conjunto, esses três temas refletem o pressuposto de que nenhuma empresa é uma ilha e que cada uma delas é um sistema imerso em outro sistema - social, econômico e cultural. Por isso, empresa e comunidade são interdependentes: o sucesso de uma depende do bem-estar da outra.

Transição
Este número marca o final do mandato deste editor. Ao avançar rumo ao seu quarto ano de existência, a GV-executivo é uma revista consolidada, porém com muitos desafios a superar. A linha editorial amadureceu, o projeto gráfico evoluiu e os processos internos foram aperfeiçoados. Com tiragem próxima a 12.000 exemplares, a revista atinge hoje parte considerável da comunidade empresarial ligada à FGV-EAESP, conta com um número representativo de assinantes externos e chega a centenas de jornalistas especializados e executivos de importantes empresas brasileiras. A proposta de disseminar conhecimento local com teor crítico foi realizada.
Desafios importantes, entretanto, deverão ser enfrentados: primeiro, ampliar o quadro de colaboradores, garantindo a qualidade e adequação do conteúdo veiculado; segundo, elevar a circulação, por intermédio das edições impressas e de conteúdo digital; e, terceiro, ampliar a sustentação comercial a fim de viabilizar novos projetos de impacto para a comunidade empresarial. Ao meu sucessor, Professor Carlos Osmar Bertero, dou as boas-vindas à comunidade GV-executivo e desejo sucesso em sua tarefa.

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